A Bíblia não fala diretamente sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Quando fala de casamento, porém, apresenta a união de um homem e uma mulher. Por isso, a compreensão cristã tradicional é que um casal do mesmo sexo pode ter amor e compromisso sinceros, mas sua união não corresponde ao casamento conforme a Bíblia o descreve.
O ponto de partida está em Gênesis 2:24. Ali, o casamento é apresentado como a união de um homem e uma mulher que passam a compartilhar a vida. Séculos depois, Jesus retoma essa passagem ao ensinar sobre o casamento e a fidelidade entre os cônjuges (Mateus 19:4-6). O Novo Testamento também usa essa mesma referência ao orientar maridos e esposas (Efésios 5:31-33). Esses textos não tratam de todas as situações que conhecemos hoje, mas mostram o modelo de casamento que os autores bíblicos tinham em vista.
Além disso, há passagens que reprovam relações sexuais entre pessoas do mesmo sexo, como Levítico 18:22, Romanos 1:26-27 e 1 Coríntios 6:9-11. Cristãos que seguem a interpretação tradicional entendem que essas passagens se aplicam às relações sexuais entre pessoas do mesmo sexo em geral, e não apenas a casos de abuso. Assim, para eles, a questão não se resolve com o compromisso do casal: a Bíblia reserva a união sexual pro casamento entre homem e mulher.
Há cristãos que leem essas passagens de outra forma. Eles argumentam que os textos condenam práticas ligadas à exploração, à idolatria ou à falta de compromisso, mas não tratam de um casal do mesmo sexo que deseja viver uma relação fiel. Essa é uma divergência real. Ainda assim, é importante não dizer que a Bíblia aprova expressamente esse tipo de casamento: ela não o apresenta nem o discute de modo direto.
Também precisamos distinguir algumas coisas que muitas vezes são misturadas. Sentir atração por alguém do mesmo sexo não é a mesma coisa que praticar um ato sexual. E a discussão sobre o que uma igreja reconhece como casamento não é exatamente a mesma discussão sobre quais direitos civis o Estado deve garantir. Uma pessoa pode defender a interpretação bíblica tradicional sem tratar ninguém com desprezo ou negar sua dignidade.
A própria Bíblia não permite que cristãos usem esse assunto pra se colocar acima dos outros. Quando Paulo menciona pecados em 1 Coríntios 6:9-11, ele não faz uma lista pra escolher um grupo a ser rejeitado. Ele lembra aos cristãos que eles também precisaram da graça de Deus. O chamado de Jesus ao arrependimento e ao perdão é dirigido a todos nós, não apenas a pessoas com quem discordamos.
Portanto, a resposta, segundo a interpretação cristã tradicional, é que a Bíblia apresenta o casamento como a união de um homem e uma mulher e não reconhece como casamento a união entre pessoas do mesmo sexo. Mas afirmar isso exige cuidado com aquilo que a Bíblia diz e com aquilo que ela não diz. Exige também tratar cada pessoa com honestidade, respeito e amor — nunca como um assunto a ser vencido numa discussão.