A Bíblia não usa essas palavras, mas dá uma resposta clara sobre a questão principal: o casamento não dá aos cônjuges liberdade pra ter relações sexuais com outras pessoas, mesmo quando os dois concordam com isso.
“Casamento aberto” costuma ser o nome dado a um acordo em que um ou ambos os cônjuges podem se envolver sexualmente com outras pessoas. No *swing*, isso geralmente acontece sem a intenção de formar outros relacionamentos amorosos. Já o *poliamor* envolve a possibilidade de manter mais de um relacionamento amoroso ao mesmo tempo. Essas situações não são idênticas, mas levantam a mesma pergunta: a concordância do marido ou da esposa torna essas relações compatíveis com o casamento descrito na Bíblia?
Quando Jesus falou sobre o casamento, ele retomou o relato da criação: um homem e uma mulher se unem e se tornam “uma só carne” (Gênesis 2:24; Mateus 19:4-6). Essa união envolve mais do que sexo. É o compromisso de compartilhar a vida como marido e mulher. Por isso, a fidelidade sexual não aparece na Bíblia como uma regra que o casal pode dispensar por acordo, mas como parte do próprio casamento.
Hebreus 13:4 orienta os cristãos a honrar o casamento e a não tratar a relação sexual conjugal com infidelidade. Provérbios 5:15-20, falando a um homem casado, o incentiva a encontrar alegria na própria esposa, em vez de buscar intimidade sexual com outra mulher. E Paulo, ao orientar os casais em 1 Coríntios 7:2-5, trata a vida sexual como algo vivido entre marido e mulher. Nenhuma dessas passagens discute um “casamento aberto” com esse nome; juntas, porém, mostram o lugar que a Bíblia dá à intimidade sexual: dentro de uma relação conjugal fiel.
É aqui que a questão do consentimento precisa ser esclarecida. A permissão de um cônjuge pode fazer diferença entre as pessoas envolvidas — por exemplo, não haveria uma relação escondida. Mas ela não muda o ensino bíblico sobre a fidelidade no casamento. O mandamento contra o adultério não é apresentado como uma proibição que deixa de valer quando o marido ou a esposa autoriza uma exceção (Êxodo 20:14). Assim, para uma pessoa casada, envolver-se sexualmente com alguém fora do casamento continua contrariando esse compromisso, mesmo que o outro cônjuge saiba e concorde.
Alguém talvez se lembre de que a Bíblia relata homens com mais de uma esposa. Isso aconteceu, especialmente no Antigo Testamento. Mas relatar uma prática não é o mesmo que recomendá-la. Quando Jesus explicou o casamento, ele apontou para a união de um homem e uma mulher apresentada em Gênesis, não para esses arranjos posteriores (Mateus 19:4-6). Além disso, a poligamia antiga não é a mesma coisa que os relacionamentos chamados hoje de poliamor.
Portanto, a Bíblia não aborda diretamente o poliamor ou o swing pelos nomes atuais. Ela aborda, sim, o que precisamos saber pra avaliar essas práticas: no casamento, amor e fidelidade não são separados da exclusividade sexual. Isso não exige negar que pessoas envolvidas nesses relacionamentos possam sentir afeto umas pelas outras. Significa reconhecer que, segundo o ensino bíblico, esse afeto e o consentimento mútuo não tornam as relações sexuais com outras pessoas parte do casamento.