Pode, mas o divórcio anterior da esposa, por si só, não decide a questão. A Bíblia não diz que um homem fica impedido de servir como pastor, presbítero ou diácono porque se casou com uma mulher divorciada. Ela pede, porém, que a igreja examine com cuidado a vida, o casamento e o caráter de quem vai liderar (1 Timóteo 3:1-13; Tito 1:5-9).
Uma das exigências para presbíteros e diáconos é que sejam homens fiéis à esposa. Paulo também fala da maneira como cuidam da família e da boa reputação que devem ter, inclusive entre as pessoas de fora da igreja (1 Timóteo 3:2, 7, 12). Essas orientações não são uma regra dizendo que a esposa nunca pode ter sido casada antes. O ponto é saber se o homem vive hoje de um jeito que a igreja pode recomendar como exemplo.
Isso não significa tratar o divórcio anterior como algo sem importância. Jesus ensinou que o casamento deve ser levado a sério e condenou o divórcio seguido de novo casamento quando isso significa abandonar o compromisso assumido com o primeiro cônjuge (Mateus 19:3-9). Por isso, é preciso entender o que aconteceu. Houve infidelidade? O primeiro casamento foi rompido pelo outro cônjuge? A mulher já era cristã naquela época? Essas perguntas podem ajudar a avaliar a situação, mas não devem ser usadas pra presumir culpa antes de conhecer os fatos.
Também importa olhar pra vida do casal agora. O possível líder é fiel, sensato e respeitado? Trata bem a esposa e cuida da família? Existem conflitos sérios ainda não resolvidos ligados ao casamento anterior? A preocupação com a reputação da igreja não deve dar poder a boatos ou preconceitos. Uma pessoa pode ser injustamente criticada e, ainda assim, ter uma vida íntegra.
Em 1 Timóteo 3:11, Paulo apresenta qualidades esperadas de mulheres ligadas ao serviço dos diáconos. Cristãos entendem esse versículo de duas maneiras: alguns acham que ele fala das esposas dos diáconos; outros, de mulheres que serviam como diaconisas. De todo modo, o texto destaca o caráter e a fidelidade dessas mulheres, não estabelece uma proibição para quem passou por um divórcio.
Portanto, não cabe uma resposta automática para todos os casos. A igreja não deve rejeitar um homem apenas porque sua esposa é divorciada, nem deve ignorar a história do casal. Ela precisa conhecer os fatos com respeito, avaliar a vida atual do candidato à luz das qualificações bíblicas e decidir se ele pode servir como exemplo para a comunidade.