Porque a Igreja Católica estabeleceu essa prática como uma forma de penitência: abrir mão de algo comum pra lembrar a morte de Jesus e dedicar mais atenção a Deus. A sexta-feira foi escolhida porque Jesus morreu numa sexta-feira. Não é uma proibição bíblica de comer carne, nem significa que a carne seja impura.
A Quaresma é o período de preparação pra Páscoa. Nesse tempo, os católicos são orientados a não comer carne na Quarta-feira de Cinzas e nas sextas-feiras, incluindo a Sexta-feira Santa. A regra vem da disciplina da Igreja Católica. Por isso, os católicos a seguem como parte da vida da sua igreja, mas não como se houvesse um mandamento bíblico dizendo que todo cristão precisa deixar de comer carne nesses dias.
Isso também explica por que o peixe é permitido. Na prática católica, a abstinência se refere à carne de animais como bois, porcos e aves, não ao peixe. Não é porque o peixe seja espiritualmente melhor; é uma distinção usada nessa regra.
E o que a Bíblia diz? Ela mostra que jejuar e abrir mão de algo pra buscar a Deus podem ser práticas boas. Jesus falou sobre o jejum, por exemplo, em Mateus 6:16-18. Mas o Novo Testamento não manda os cristãos deixarem de comer carne às sextas-feiras da Quaresma. Jesus ensinou que o alimento, por si só, não torna uma pessoa impura diante de Deus (Mateus 15:11). Paulo também alertou contra julgar a relação de alguém com Deus pelo que essa pessoa come ou deixa de comer (Colossenses 2:16).
Então a diferença é esta: um católico pode deixar de comer carne como um gesto sincero de lembrança e disciplina, mas não é a ausência de carne no prato que aproxima alguém de Cristo. O valor da prática depende do que ela expressa no coração; ela não substitui a fé, o arrependimento nem a obediência a Deus.