Pedro está falando de pessoas que conheceram o caminho de Jesus, mas depois voltaram a viver no pecado e passaram a ensinar outros a fazer o mesmo. A comparação é desagradável de propósito: assim como um cão volta a algo que havia posto pra fora, esses falsos mestres voltaram ao comportamento do qual pareciam ter se afastado.
O contexto ajuda a entender. Em 2 Pedro 2, Pedro alerta a igreja sobre mestres que prometiam liberdade, mas usavam essa promessa pra justificar uma vida dominada por desejos e práticas erradas (2 Pedro 2:18-19). Eles conheciam a mensagem sobre Jesus Cristo e haviam escapado, de algum modo, das práticas pecaminosas ao seu redor. Mesmo assim, acabaram envolvidos nelas novamente (2 Pedro 2:20-21).
Ao usar a imagem do cão, Pedro retoma uma ideia de Provérbios 26:11: o insensato repete a própria insensatez. Em seguida, ele fala de uma porca que foi lavada e voltou à lama. As duas imagens ensinam a mesma coisa: conhecer o que é certo ou mudar por fora não basta, se a pessoa insiste em voltar ao que sabe que é errado.
Isso não quer dizer que todo cristão que cai em pecado seja como o cão do provérbio. Pedro não está falando de alguém que luta contra um pecado, se arrepende e busca a ajuda de Deus. Ele está advertindo sobre pessoas que abandonam o caminho que conheceram, se entregam novamente ao pecado e ainda procuram levar outros com elas.
Há uma questão sobre esses falsos mestres: eles chegaram a ter fé verdadeira e depois a perderam, ou conheceram o evangelho sem nunca se arrepender de coração? Cristãos entendem esse ponto de maneiras diferentes. Pedro não resolve essa discussão nessa comparação. O alerta dele, porém, é claro: não basta conhecer a mensagem de Jesus; é preciso acolhê-la e continuar seguindo-o. Quanto mais uma pessoa conhece a verdade, mais séria é a decisão de rejeitá-la (2 Pedro 2:21).