O calendário judaico acompanha a Lua para contar os meses e as estações do ano para organizar o ano. Essa combinação ajuda a entender por que suas datas mudam em relação ao nosso calendário, mas festas como a Páscoa judaica continuam acontecendo na primavera do hemisfério norte.
Cada mês tem 29 ou 30 dias, aproximadamente o tempo que a Lua leva para completar um ciclo. Doze meses assim somam cerca de 354 dias — uns 11 dias a menos que um ano do calendário que usamos. Se nada fosse feito, as festas judaicas iriam, aos poucos, passando por todas as estações. Por isso, em alguns anos o calendário recebe um décimo terceiro mês. No calendário judaico usado hoje, isso acontece sete vezes a cada ciclo de 19 anos.
Os meses, começando por nisã, são: nisã, iar, sivã, tamuz, av, elul, tisri, chesvã, quisleu, tevete, sebat e adar. Nos anos com um mês a mais, há adar I e adar II, antes de chegar novamente a nisã. Os nomes de vários desses meses passaram a ser usados pelos judeus depois do exílio na Babilônia. A Bíblia também registra nomes mais antigos, como *abibe* para o mês chamado nisã (Êxodo 13:4).
Há ainda uma distinção importante: o calendário judaico tem dois pontos de partida para contar os meses, conforme o assunto. Em Êxodo 12:2, Deus orientou Israel a considerar o mês da saída do Egito, nisã, como o primeiro mês. É nele que acontece a Páscoa, conforme Levítico 23:5. Já a contagem dos anos civis começa em tisri, cerca de seis meses depois. Assim, nisã é o primeiro mês na contagem ligada às festas bíblicas, enquanto o ano judaico muda em tisri, na época do outono do hemisfério norte.
Isso também explica por que não basta somar um número fixo ao ano do nosso calendário pra saber o ano judaico: os dois calendários começam o ano em épocas diferentes. A numeração judaica dos anos segue uma contagem tradicional a partir da criação do mundo. Essa contagem é uma tradição religiosa; não deve ser confundida com uma data da criação estabelecida explicitamente pela Bíblia.
Por fim, na contagem judaica, o dia começa ao pôr do sol, não à meia-noite. Por isso, uma festa marcada para determinada data judaica começa na noite anterior, segundo o modo como costumamos contar os dias.
Em resumo: a Lua determina a duração dos meses; o mês extra mantém o ano em sintonia com as estações; e nisã e tisri têm funções diferentes na contagem do tempo. Com essas três ideias, fica bem mais fácil entender as datas e as festas mencionadas na Bíblia.