A diferença não foi simplesmente que Abel levou um animal e Caim levou frutos da terra. Gênesis não diz que Deus havia proibido uma oferta como a de Caim. O que o texto diz é que Deus se agradou de Abel e de sua oferta, mas não se agradou de Caim e de sua oferta (Gênesis 4:3-5). A maneira como os dois se apresentaram diante de Deus importava, não apenas aquilo que levaram.
Abel cuidava de rebanhos e ofereceu os primeiros animais nascidos, incluindo as melhores partes. Caim trabalhava na terra e levou parte da colheita. É possível que essa diferença mostre mais cuidado da parte de Abel, mas Gênesis não afirma que esse foi o motivo decisivo. Também não conta que instruções Deus havia dado aos irmãos sobre as ofertas. Por isso, não dá pra afirmar que Caim foi rejeitado por levar vegetais em vez de sangue, nem que desobedeceu a uma regra específica sobre o tipo de oferta.
O Novo Testamento esclarece o ponto principal: Abel ofereceu a Deus pela fé (Hebreus 11:4). Ele confiava em Deus, e sua oferta fazia parte dessa confiança. Sobre Caim, Deus disse que ele poderia ser aceito se fizesse o que era certo e o alertou de que o pecado queria dominá-lo (Gênesis 4:6-7). Caim não precisava permanecer naquela situação. Podia ouvir a correção de Deus e mudar de atitude.
Mas ele escolheu outro caminho. Ficou irado com a rejeição e voltou sua raiva contra Abel. Mais tarde, matou o irmão no campo (Gênesis 4:8). João explica o que havia por trás desse crime: as ações de Caim eram más, enquanto as de Abel eram justas (1 João 3:12). Abel não tinha feito mal a Caim. A vida dele, porém, tornava mais evidente aquilo que Caim não queria corrigir em si mesmo.
A história não ensina que Deus prefere pastores a agricultores, nem que toda oferta de alimento é inaceitável. Ela mostra algo mais sério: uma pessoa pode levar algo a Deus sem estar disposta a ouvi-lo. Abel se aproximou pela fé. Caim, quando foi confrontado, deixou a raiva crescer até matar o próprio irmão.