Pastor Antônio Junior

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O que é o branhamismo, e quem foi William Branham?

Autor: Admin

Publicado: 2026-11-05

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O branhamismo é o nome dado aos ensinamentos de William Marrion Branham, um pregador norte-americano que viveu de 1909 a 1965. Ele ficou conhecido principalmente por suas campanhas de cura e por dizer que recebia visões e mensagens de Deus. Seus seguidores costumam chamar seus ensinamentos de “a Mensagem”, mas não formam uma única igreja nem concordam em tudo.

A questão principal não é se Deus pode curar alguém ou falar à sua igreja. É outra: Branham tinha a autoridade especial que dizia ter? E seus ensinamentos estão de acordo com a Bíblia?

Branham ganhou destaque a partir da década de 1940, pregando em reuniões de cura. Com o tempo, passou a ensinar que Deus o havia enviado como um profeta especial pra restaurar a verdadeira fé cristã antes da volta de Jesus. Ele relacionava sua missão à promessa de Malaquias 4:5, de que Deus enviaria Elias antes do dia do Senhor, e também se identificava com o mensageiro da última das sete igrejas mencionadas em Apocalipse 2 e 3.

Essas identificações, porém, não são afirmações da Bíblia sobre Branham. O Novo Testamento liga a promessa de Malaquias a João Batista: o anjo anuncia que João viria com o espírito e o poder de Elias, e Jesus também faz essa ligação (Lucas 1:16-17; Mateus 17:10-13). Já as mensagens às sete igrejas de Apocalipse foram dirigidas, primeiro, a igrejas reais do tempo do apóstolo João. Interpretá-las como uma lista de épocas da história, terminando em Branham, exige passos que o próprio texto não estabelece.

O que há de mais preocupante em seus ensinamentos? Um ponto central é o que ele dizia sobre Deus. Branham rejeitava o entendimento cristão da Trindade — um só Deus, sendo o Pai, o Filho e o Espírito Santo distintos entre si. Ele ensinava uma visão segundo a qual Deus é uma única pessoa que se manifesta de maneiras diferentes. Mas, no batismo de Jesus, o Filho está na água, o Espírito desce sobre ele e o Pai fala do céu (Mateus 3:16-17). A distinção entre eles não parece ser apenas uma troca de formas de apresentação. Jesus também manda batizar em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo (Mateus 28:19).

Outra ideia ensinada por Branham é a chamada “semente da serpente”: Eva teria tido uma relação sexual com a serpente, e Caim teria nascido dessa união. Gênesis não diz isso. O texto apresenta o pecado no jardim como desobediência à ordem de Deus: Eva e Adão comeram do fruto proibido (Gênesis 3:1-6). Depois, Gênesis 4:1 apresenta Adão como o pai de Caim. Essa doutrina acrescenta à história algo que ela não conta.

Branham também fez afirmações sobre o fim dos tempos, curas e revelações que precisam ser avaliadas com cuidado. Por exemplo, ele apontou 1977 como uma data importante pra acontecimentos ligados ao fim. É preciso ser preciso aqui: ele apresentou essa expectativa como uma *previsão pessoal*, não simplesmente como uma profecia formulada nos mesmos termos de todas as suas alegações de revelação. Ainda assim, previsões desse tipo não devem receber autoridade bíblica só porque vêm de um pregador conhecido.

Isso não significa que todas as pessoas que apreciam suas pregações defendam cada uma dessas ideias. Há grupos diferentes entre seus seguidores. Também não é necessário julgar a sinceridade de cada um deles pra examinar os ensinamentos de Branham.

A orientação da Bíblia é avaliar o que um mestre diz, em vez de aceitar sua autoridade porque ele relata experiências extraordinárias (1 João 4:1; Atos 17:11). No caso de Branham, há motivos sérios pra rejeitar a ideia de que ele foi o profeta final enviado pra restaurar a igreja. E quando seus ensinos entram em conflito com o que as Escrituras dizem sobre Deus e sobre o evangelho, o cristão deve ficar com as Escrituras — não com as afirmações de Branham.