É difícil ver alguém agir de forma desonesta, prejudicar outras pessoas e, ainda assim, ter saúde, dinheiro e oportunidades. A pergunta é justa: se Deus vê o que essa pessoa faz, por que permite que ela desfrute de coisas boas?
A Bíblia dá uma primeira resposta: Deus não concede coisas boas apenas a quem age bem. Jesus disse que Deus faz o sol nascer e a chuva cair tanto sobre justos quanto sobre injustos (Mateus 5:45). A vida, a comida, a saúde e tantas outras coisas boas são presentes que Deus dá a pessoas que não os merecem perfeitamente — e isso inclui todos nós.
Mas isso não significa que Deus aprove o mal. Ter dinheiro ou uma vida confortável não é prova de que alguém esteja vivendo de um jeito que agrada a Deus. Da mesma forma, passar por dificuldades não é prova de que Deus esteja punindo alguém. Se olharmos apenas pras circunstâncias de uma pessoa, não conseguiremos saber como está a relação dela com Deus.
O Salmo 73 mostra como essa dúvida pode mexer conosco. Asafe, o autor do salmo, viu pessoas arrogantes prosperarem enquanto ele enfrentava dificuldades. Por um momento, chegou a pensar que não valia a pena procurar viver corretamente. O que mudou sua maneira de pensar foi lembrar que a situação presente não conta a história inteira. O sucesso de uma pessoa pode durar algum tempo, mas não a livra de responder a Deus pelo que fez (Salmo 73:2-17, 27).
Há também uma razão pra Deus não julgar imediatamente cada pessoa que pratica o mal: ele é paciente e dá tempo pra que as pessoas se arrependam. Romanos 2:4-6, porém, deixa claro que essa paciência não é indiferença. Quem insiste em fazer o mal não deve confundir a demora do julgamento com a certeza de que nunca terá de prestar contas.
Isso não quer dizer que toda pessoa cruel vá sofrer ainda nesta vida, nem que quem serve a Deus terá uma vida fácil. Significa que o bem que alguém recebe hoje não é a palavra final de Deus sobre essa pessoa. Asafe terminou o salmo entendendo que estar perto de Deus era mais valioso do que possuir aquilo que ele invejava nos outros (Salmo 73:23-28).
Então, por que Deus permite que coisas boas aconteçam a pessoas que fazem o mal? Porque ele é generoso até com quem não lhe obedece e paciente com quem precisa se arrepender. Mas sua generosidade não cancela sua justiça. E, quando a aparente injustiça do presente nos incomoda, podemos lembrar: aquilo que alguém tem agora não nos diz tudo sobre o fim da sua história.