Blasfemar é falar de Deus com desprezo ou insultar quem ele é e o que ele faz. Isso inclui usar seu nome para ofendê-lo, dizer mentiras sobre seu caráter ou tratar sua obra como algo mau. A blasfêmia não é simplesmente fazer uma pergunta difícil sobre Deus, nem dizer com sinceridade que está com dúvidas. A diferença está na atitude de desprezo e no que a pessoa afirma a respeito dele.
Um exemplo ajuda a entender. Quando o exército assírio ameaçou Jerusalém, seu representante zombou da confiança dos moradores no Senhor. Ele falou como se o Deus de Israel fosse incapaz de salvar a cidade, assim como os deuses de outros povos não haviam salvado as deles. O rei Ezequias levou aquelas palavras a Deus em oração, reconhecendo que não se tratava apenas de uma ameaça militar: o próprio Senhor estava sendo insultado (Isaías 36:18-20; 37:14-20).
Na lei dada a Israel por meio de Moisés, blasfemar contra o nome de Deus era uma falta gravíssima, punida com a morte (Levítico 24:10-16). Isso mostra a seriedade com que Deus tratava o insulto dirigido a ele. Mas essa pena fazia parte da lei dada à nação de Israel; não é uma autorização para cristãos punirem pessoas dessa maneira hoje.
A Bíblia também mostra que o nome de Deus pode ser desrespeitado por causa da conduta de quem diz segui-lo. Paulo repreendeu pessoas que ensinavam a lei, mas não viviam de acordo com ela: por causa dessa incoerência, outras pessoas falavam mal de Deus (Romanos 2:17-24). É importante fazer a distinção: nem todo pecado de um cristão é, por isso, um ato direto de blasfêmia. Ainda assim, nossas palavras e atitudes podem levar outros a formar uma ideia falsa sobre Deus.
Talvez a expressão que mais preocupe as pessoas seja “blasfêmia contra o Espírito Santo”. Jesus falou dela depois que alguns líderes religiosos atribuíram a Satanás a obra que o Espírito de Deus realizava por meio dele (Marcos 3:22-30). Eles não estavam apenas tentando entender o que viam; estavam chamando de demoníaca uma obra de Deus. Por isso, não devemos confundir essa advertência com uma dúvida sincera, uma palavra impensada da qual alguém se arrependeu ou o medo de ter cometido esse pecado.
Blasfemar é sério, mas a Bíblia não ensina que toda pessoa que blasfemou ficou sem possibilidade de perdão. Paulo reconheceu que antes havia sido blasfemo e perseguidor dos cristãos; depois, recebeu misericórdia de Jesus Cristo (1 Timóteo 1:12-16). Portanto, se alguém percebe que falou contra Deus e quer se arrepender, não precisa concluir que está além do perdão. Pode se voltar a Cristo e pedir misericórdia.