A Bíblia não diz que o bitcoin — nem qualquer outra criptomoeda — será uma moeda mundial no fim dos tempos. A dúvida costuma surgir por causa de Apocalipse 13:16-17: ali, ninguém pode comprar ou vender sem a marca da besta. Mas o texto não diz que haverá uma moeda única. Ele fala de uma exigência imposta às pessoas pra que possam participar do comércio.
Essa diferença é importante. Mesmo que o mundo inteiro usasse moedas diferentes, ainda seria possível impedir alguém de comprar e vender por não cumprir determinada exigência. Por isso, não dá pra concluir, a partir dessa passagem, que existirá uma moeda mundial — muito menos que ela será o bitcoin.
O bitcoin é uma forma de dinheiro digital. Ele funciona numa rede descentralizada, sem que um único governo ou banco controle todas as transações. Isso pode fazer alguém imaginar como uma tecnologia digital seria usada num sistema de controle econômico. É uma possibilidade, não uma informação revelada pela Bíblia. Apocalipse não menciona computadores, carteiras digitais, chips ou criptomoedas.
Além disso, a marca da besta não aparece no livro apenas como um meio de pagamento. Ela está ligada à lealdade à besta e à sua adoração (Apocalipse 13:12-17; 14:9-11). Então também não seria correto dizer que usar dinheiro digital, por si só, é receber essa marca. A questão apresentada no texto bíblico é muito mais séria do que a tecnologia usada numa compra.
Há cristãos que entendem essas passagens como a descrição de um governante futuro e de um controle econômico ainda por acontecer. Outros interpretam aspectos da visão de outra maneira. Mas nenhuma dessas leituras permite identificar o bitcoin como a moeda mencionada em Apocalipse, porque Apocalipse não identifica moeda alguma.
Portanto, o surgimento das criptomoedas não prova que a tribulação começou nem que o bitcoin terá um papel específico nela. Um cristão pode avaliar seu uso como avaliaria outras decisões financeiras: com honestidade, prudência e atenção às leis aplicáveis. Quanto ao futuro, o melhor é manter a distinção entre o que a Bíblia afirma — haverá pressão sobre a capacidade de comprar e vender — e o que nós apenas imaginamos sobre a forma como isso poderia acontecer.