A Bíblia ensina duas coisas que precisam andar juntas: leve a sério o que você promete e não prometa de maneira precipitada. Isso vale especialmente quando a promessa é feita a Deus. Ao mesmo tempo, uma promessa nunca dá a alguém o direito de fazer algo que Deus condena.
No Antigo Testamento, ninguém era obrigado a fazer um voto — uma promessa solene, geralmente feita a Deus. Mas, se a pessoa o fizesse, deveria cumprir o que prometeu. Deuteronômio 23:21-23 faz essa distinção, e Eclesiastes 5:4-5 alerta contra prometer algo a Deus e depois não cumprir. O problema não era deixar de fazer votos; era falar com Deus sem levar a própria palavra a sério.
A história de Jefté mostra como um voto impensado pode trazer sofrimento. Antes de uma batalha, ele prometeu oferecer ao Senhor quem saísse primeiro de sua casa pra recebê-lo, caso voltasse vitorioso. Quem saiu foi sua filha (Juízes 11:29-40). Há discussão sobre o que exatamente aconteceu com ela, mas a lição sobre a promessa é clara: Jefté se comprometeu sem pensar no que suas palavras poderiam significar. O fato de a Bíblia contar essa história não quer dizer que ela aprove o voto ou tudo o que Jefté fez depois.
Jesus foi além da pergunta “Como garantir que um juramento seja cumprido?”. Em Mateus 5:33-37, ele condenou o costume de reforçar certas palavras com juramentos, como se, nas outras ocasiões, a pessoa pudesse falar sem o mesmo compromisso com a verdade. Seu ensino é simples: o nosso “sim” deve ser confiável, e o nosso “não” também. Tiago 5:12 repete esse princípio.
Isso não significa que um cristão esteja proibido de assumir qualquer compromisso, como combinar um trabalho ou prometer ajuda a alguém. Também há cristãos que entendem que Jesus não proibiu todo juramento formal, pois Paulo invocou Deus como testemunha do que dizia (2 Coríntios 1:23). Outros entendem as palavras de Jesus como uma proibição mais ampla dos juramentos. Seja qual for a posição nesse ponto, ninguém deve usar um juramento pra dar aparência de verdade ao que diz, nem fazer promessas que não pretende cumprir.
E se alguém já fez uma promessa errada? Primeiro, precisa considerar *o que* prometeu. Se cumprir a promessa significaria pecar, não deve cumpri-la. Nesse caso, o caminho é reconhecer diante de Deus que errou ao prometer, abandonar o que é errado e, se outras pessoas foram afetadas, procurar reparar o dano na medida do possível. Uma promessa imprudente não transforma o pecado em dever.
Se a promessa é boa e possível, a pessoa deve fazer o que disse. Se surgiram circunstâncias que realmente a impedem, deve ser honesta com quem foi afetado, em vez de fingir que nada aconteceu. E, se pecou, pode buscar o perdão de Deus: 1 João 1:9 ensina que ele perdoa aqueles que confessam seus pecados.
Em resumo, a Bíblia não nos incentiva a prometer mais pra parecer sinceros. Ela nos ensina a falar a verdade, pensar antes de assumir um compromisso e cumprir a palavra dada.