Depende do que queremos dizer com “visualizar”. Se é imaginar uma situação pra se preparar, planejar ou criar algo, não há nada de errado nisso por si só. Mas, se é acreditar que imaginar uma coisa com força suficiente fará com que ela aconteça, a Bíblia não ensina isso.
Pense em alguém que vai ter uma conversa difícil e imagina como pode falar com calma e respeito. Isso pode ajudar essa pessoa a agir melhor. Jesus também ensinou a pensar antes de começar uma tarefa: ele deu o exemplo de alguém que calcula o custo antes de construir uma torre (Lucas 14:28). Planejar, porém, não é o mesmo que controlar o resultado. Tiago nos lembra de fazer planos reconhecendo que não sabemos o que acontecerá amanhã e que nossa vida depende de Deus (Tiago 4:13-15).
A diferença importante está aí. Imaginar pode ajudar a preparar nossas ações; não dá aos nossos pensamentos o poder de produzir acontecimentos. Algumas propostas chamadas de “visualização criativa” prometem que, se a pessoa formar uma imagem bem clara do que deseja, poderá atrair dinheiro, saúde ou sucesso. A Bíblia não apresenta a mente humana dessa maneira. Podemos trabalhar, fazer escolhas e pedir ajuda a Deus, mas não podemos garantir o futuro por meio de imagens mentais.
Isso também não quer dizer que seja errado pedir a Deus algo específico. Filipenses 4:6 nos incentiva a apresentar a ele nossas preocupações e pedidos em oração. A oração, porém, não é uma técnica pra conseguir tudo o que imaginamos. É uma maneira de levar nossos desejos a Deus e confiar nele, inclusive quando a resposta não é a que esperávamos.
Portanto, se visualizar ajuda você a se preparar pra uma prova, uma apresentação ou uma conversa, pode ser uma ferramenta útil. Só não confunda essa preparação com uma promessa de que seus pensamentos vão fazer a realidade obedecer à sua vontade. A Bíblia nos orienta a planejar com sabedoria, orar e confiar em Deus quanto ao resultado.