Quando alguém nos prejudica, é natural querer que essa pessoa sinta o mesmo que sentimos. Mas a Bíblia nos chama a não responder ao mal fazendo outro mal. Isso não significa fingir que nada aconteceu. Significa deixar de lado a vingança pessoal e buscar o que é justo sem se tornar injusto também.
Paulo diz aos cristãos que não se vinguem e que, sempre que possível, vivam em paz com todos. Ele também ensina a fazer o bem até a quem nos trata como inimigos (Romanos 12:17-21). Jesus vai na mesma direção: em vez de revidar por ódio, seus seguidores devem amar seus inimigos e orar por eles (Mateus 5:38-44). É uma resposta difícil, mas não depende só de força de vontade. Deus nos ajuda, por meio do seu Espírito, a agir de um jeito diferente do que a raiva pede (Gálatas 5:22-23).
Talvez surja uma dúvida: a lei dada a Israel não falava em “olho por olho”? Falava, sim. Naquele contexto, a regra colocava um limite na punição: ela devia ser proporcional ao dano, não maior do que ele (Êxodo 21:23-25). Não era uma autorização pra cada pessoa acertar contas por conta própria. Jesus corrigiu justamente a atitude de usar a ofensa sofrida como motivo pra revidar (Mateus 5:38-39).
Não se vingar também não é aceitar novos abusos. Quem sofre ameaças ou violência pode procurar proteção, se afastar de uma situação perigosa e denunciar um crime. Perdoar não exige manter acesso irrestrito a quem continua fazendo mal, nem impede que essa pessoa responda pelo que fez. A Bíblia distingue a vingança pessoal da responsabilidade das autoridades de conter o mal e fazer justiça (Romanos 13:3-4). Isso não torna toda ação de uma autoridade automaticamente justa, mas mostra que buscar ajuda das autoridades não é o mesmo que se vingar.
A diferença principal está no que fazemos com a injustiça sofrida. Podemos buscar segurança e justiça sem tentar causar sofrimento em troca. Podemos até perdoar enquanto uma denúncia é investigada. Ao dizer que a vingança pertence a Deus, Paulo não promete que todo caso será resolvido agora como gostaríamos; ele nos lembra de que não precisamos assumir o papel de juiz e vingador (Romanos 12:19).
Portanto, a resposta bíblica à retaliação não é a passividade. É recusar o ódio e o revide, proteger quem precisa de proteção, buscar justiça pelos meios corretos e confiar a Deus aquilo que não está em nossas mãos.