Na época de Jesus, muitos judeus desprezavam os cobradores de impostos porque eles trabalhavam na cobrança de tributos sob o domínio de Roma. Para o povo, pagar impostos a um governo estrangeiro já era difícil; ver alguém do próprio povo participar daquela cobrança tornava a situação ainda mais amarga. Além disso, havia cobradores que exigiam mais do que deviam e ficavam com o dinheiro extra.
Os Evangelhos mostram como essa má fama afetava a maneira de tratar essas pessoas. Quando Jesus se sentou pra comer com cobradores de impostos, alguns líderes religiosos criticaram sua atitude (Marcos 2:15-16). Comer com alguém era uma forma de convivência próxima. Por isso, eles não entendiam por que Jesus se aproximava de gente que consideravam pecadora.
Mas é importante perceber a diferença: a Bíblia mostra o desprezo que muitos tinham pelos cobradores; ela não ensina que todos eles eram desonestos nem que mereciam ser desprezados. O próprio João Batista, ao falar com cobradores de impostos, não mandou que abandonassem a profissão. Mandou que não cobrassem mais do que o valor devido (Lucas 3:12-13). O problema era a injustiça, não simplesmente o trabalho de cobrar impostos.
Jesus também não ignorava os pecados dessas pessoas. Ele chamou Levi, que trabalhava na cobrança de impostos, pra segui-lo (Marcos 2:14). E, quando foi criticado por comer com cobradores e outros pecadores, explicou que tinha vindo chamar pecadores, assim como um médico atende quem está doente (Marcos 2:17). Jesus se aproximava deles não porque a desonestidade não importasse, mas porque eles também precisavam de perdão e podiam mudar.
Zaqueu mostra bem isso. Depois de receber Jesus, ele se comprometeu a devolver, com compensação, o que tivesse tirado injustamente de alguém (Lucas 19:8). Sua mudança não ficou só nas palavras: atingiu a maneira como tratava o dinheiro e as pessoas.
Portanto, os cobradores de impostos eram malvistos por sua ligação com o governo romano e pela exploração praticada por alguns deles. Jesus levou esses pecados a sério, mas se recusou a tratar aquelas pessoas como casos perdidos. É essa a diferença mais importante nos relatos bíblicos: enquanto muitos só viam a má fama dos cobradores, Jesus os chamava ao arrependimento e lhes oferecia uma nova vida.