A Bíblia não usa a expressão “passivo-agressivo”, mas fala sobre o que costuma acontecer nesse tipo de atitude: a pessoa está magoada ou contrariada e, em vez de dizer isso com sinceridade, demonstra sua irritação de maneira indireta. Ela pode dizer que está tudo bem, mas depois tratar o outro com frieza, fazer comentários que machucam ou tentar prejudicá-lo discretamente.
O problema não é sentir raiva ou discordar. Isso acontece com todos nós. Também não há nada de errado em dizer “não” a um pedido ou em precisar de tempo antes de conversar. O problema é esconder o que sentimos enquanto usamos nossas atitudes pra punir a outra pessoa.
A Bíblia nos orienta a seguir outro caminho. Levítico 19:17 nos ensina a não guardar ódio no coração e a falar com o próximo quando houver algo a resolver. Jesus também ensinou que, se alguém pecar contra nós, devemos começar por uma conversa em particular (Mateus 18:15). Isso não significa brigar nem dizer tudo o que vem à cabeça. Significa procurar resolver o problema com verdade e respeito, dando ao outro a oportunidade de explicar o que aconteceu.
Podemos ver como uma reação indireta causa estragos na história do rei Acabe. Ele queria comprar a vinha de Nabote, mas Nabote não aceitou. Acabe voltou pra casa contrariado, deitou-se e se recusou a comer. Sua esposa, Jezabel, então armou um plano que levou à morte de Nabote. A Bíblia não diz que Acabe planejou aquele assassinato desde o começo, mas deixa claro que ele foi responsável por tomar posse da vinha depois do crime, e Deus o confrontou por isso (1 Reis 21:1–20). É importante não usar essa história pra chamar qualquer pessoa emburrada de assassina. Ela mostra, porém, que o modo como lidamos com um desejo contrariado importa — e que não podemos fugir da responsabilidade pelas injustiças das quais nos beneficiamos.
No dia a dia, vale perguntar: “Estou tratando essa pessoa com frieza pra que ela perceba que me magoou? Estou fazendo insinuações quando poderia falar com ela? Estou contando minha queixa a outros antes de tentar resolvê-la com quem está envolvido?” Essas perguntas ajudam a perceber atitudes que às vezes nem reconhecemos em nós mesmos.
Paulo nos chama a deixar de lado a amargura e a maldade e a tratar uns aos outros com bondade e perdão (Efésios 4:31–32). Perdoar não exige fingir que nada aconteceu, nem impede que a gente estabeleça limites. Mas nos afasta da vingança disfarçada. Com a ajuda de Deus, podemos aprender a dizer a verdade com amor: “Isso me magoou”, “Não concordo” ou “Não posso fazer isso”. É muito mais honesto — e dá ao relacionamento uma chance real de melhorar.