A Bíblia não usa a palavra *nepotismo*, mas ensina algo que ajuda a responder à pergunta: cuidar da família é bom; dar a um parente uma vantagem injusta por causa do parentesco é outra coisa.
Pense em duas situações. Uma pessoa abre uma pequena empresa e ensina o trabalho aos filhos, que passam a trabalhar com ela. Isso, por si só, não é errado. Agora imagine alguém responsável por uma contratação que escolhe um parente sem preparo, deixando de lado outras pessoas mais capazes só porque são de fora da família. Aí o problema não é o parentesco em si. É a injustiça na escolha.
A Bíblia condena esse tipo de favoritismo. Tiago 2:1-9 repreende quem trata pessoas de maneira diferente por causa da posição social delas. O exemplo ali não é uma contratação, mas o princípio também se aplica: não devemos favorecer alguém por motivos que não têm relação com o que é justo. E, quando Moisés recebeu orientação pra escolher homens que o ajudariam a julgar o povo, os critérios mencionados foram capacidade, temor a Deus e honestidade, não parentesco (Êxodo 18:21).
Isso também ajuda a entender os casos de parentes em posições importantes na Bíblia. Abner, comandante do exército de Saul, era seu parente (1 Samuel 14:50-51). Neemias confiou responsabilidades em Jerusalém a seu irmão Hanani e a Hananias; ao falar deste último, destacou que ele era fiel e temia a Deus (Neemias 7:2). Esses relatos mostram parentes recebendo funções, mas não dizem, por si só, que pessoas mais preparadas foram prejudicadas. Portanto, não seria correto usá-los nem pra condenar toda escolha de um familiar, nem pra justificar qualquer escolha desse tipo.
A pergunta mais útil é: essa pessoa foi escolhida porque pode cumprir bem a responsabilidade, ou recebeu uma vantagem que os outros não teriam? Quem toma a decisão está sendo honesto com todos os envolvidos? Também é preciso respeitar as regras aplicáveis ao cargo. Num cargo público, por exemplo, a responsabilidade não é apenas com a família de quem contrata, mas com toda a comunidade.
Em resumo, a Bíblia não proíbe simplesmente trabalhar com parentes. Ela nos chama a agir com justiça. Se o parentesco vier junto com capacidade e uma escolha correta, não há motivo pra tratar isso automaticamente como pecado. Mas, se servir de desculpa pra passar por cima de critérios justos e prejudicar outras pessoas, o favoritismo está errado.