A Bíblia não dá uma resposta simples como “toda guerra é certa” ou “toda guerra é errada”. Ela mostra guerras causadas pela ambição e pela violência, condena o desejo de ferir outras pessoas e ensina que devemos buscar a paz. Ao mesmo tempo, reconhece que autoridades podem precisar usar a força pra conter o mal e proteger pessoas (Romanos 13:1-4). Por isso, não basta perguntar *se* alguém está lutando. É preciso perguntar por quê, contra quem e de que maneira.
No Antigo Testamento, há ocasiões em que Deus ordenou a Israel que lutasse. Essas ordens tinham um contexto próprio, ligado à história daquele povo. Não são uma autorização pra que qualquer país, hoje, declare que sua guerra é vontade de Deus. Os próprios profetas denunciaram nações que praticavam crueldade e confiavam no poder militar em vez de agir com justiça.
Jesus ensinou seus seguidores a amar os inimigos, a não se vingar e a buscar a paz (Mateus 5:9, 38-48). Quando Pedro usou uma espada pra tentar impedir a prisão de Jesus, Jesus o repreendeu (Mateus 26:51-52). Mais tarde, explicou que seu reino não seria estabelecido por seus seguidores por meio de combate armado (João 18:36). Portanto, a igreja não recebeu a missão de espalhar a fé pela força.
Isso não resolve, por si só, todas as perguntas sobre um cristão servir no exército. O Novo Testamento não manda os soldados que se aproximam de Deus abandonar a profissão. João Batista exige que eles não extorquam ninguém nem façam falsas acusações (Lucas 3:14). Em outras palavras, a atuação deles precisava ser justa. Também não é correto dizer que um soldado deve cumprir qualquer ordem: a obediência a uma autoridade não justifica fazer o mal (Atos 5:29).
Por isso, cristãos que reconhecem a autoridade da Bíblia chegam a conclusões diferentes. Alguns entendem que é possível participar de uma guerra estritamente defensiva, pra proteger inocentes, desde que a força usada não seja cruel nem indiscriminada. Outros entendem que o ensino e o exemplo de Jesus chamam seus discípulos a não participar de guerras, mesmo nessas circunstâncias. Ambas as posições precisam levar a sério o mandamento de amar o próximo — inclusive quando esse próximo está do outro lado do conflito.
A Bíblia também fala de outra luta que diz respeito a todo cristão. Em Efésios 6:10-18, Paulo diz que nossa luta mais profunda não é contra pessoas. Por isso, ele nos chama a resistir ao mal com fé, verdade, justiça e oração, não a tratar quem discorda de nós como inimigo a ser destruído.
Assim, a Bíblia não celebra a guerra. Ela nos chama a rejeitar a vingança, proteger a vida, agir com justiça e fazer o que estiver ao nosso alcance pra viver em paz (Romanos 12:18-21). Mesmo quando o uso da força é considerado necessário, ele nunca deve ser motivo de orgulho ou uma desculpa pra deixar de amar as pessoas.