A Bíblia fala dos filhos como um presente de Deus e uma responsabilidade confiada aos pais. Eles precisam de cuidado, ensino e orientação. Mas há algo importante desde o começo: nenhum filho pertence aos pais como se fosse uma propriedade. Ele é uma pessoa amada por Deus, que precisa aprender a conhecê-lo e, com o tempo, fazer suas próprias escolhas.
O Salmo 127:3 chama os filhos de herança do Senhor. Isso não quer dizer que criá-los seja sempre fácil. Quer dizer que sua vida tem valor e deve ser recebida com gratidão. Por isso, a Bíblia não orienta os pais apenas a alimentar e proteger os filhos. Ela também os chama a ensinar-lhes sobre Deus no dia a dia, nas conversas comuns da vida (Deuteronômio 11:18-19).
Esse ensino precisa vir acompanhado de uma maneira cuidadosa de tratar as crianças. Efésios 6:4 orienta os pais a não provocar os filhos à ira, mas a criá-los na instrução do Senhor. Há lugar pra correção, mas não pra humilhação, crueldade ou exigências que só produzem desânimo. E os filhos também são chamados a honrar e obedecer aos pais (Efésios 6:1-3). A relação, portanto, envolve responsabilidade dos dois lados, embora caiba aos adultos cuidar e orientar.
E o que significa ser “filho de Deus”? A expressão vai além da relação entre pais e filhos dentro de casa. A Bíblia diz que as pessoas que recebem a Cristo pela fé são acolhidas por Deus como seus filhos (João 1:12; Gálatas 3:26). Isso não acontece automaticamente porque seus pais são cristãos. Uma família pode ensinar a fé e dar um exemplo precioso, mas não pode crer no lugar de uma criança. Cada pessoa precisa responder a Deus.
É nesse sentido que a maior esperança de pais cristãos não é simplesmente que os filhos repitam seus costumes, mas que conheçam a Cristo de verdade. Pais podem ensinar, orar, corrigir e demonstrar amor. O que não podem fazer é garantir, por seus próprios esforços, que um filho terá fé. A salvação é recebida pela fé em Cristo, não herdada da família.
A palavra *filho* também aparece na Bíblia com outros sentidos. Às vezes indica descendência: Jesus é chamado de Filho de Davi porque veio da família de Davi e é o rei prometido por Deus (Mateus 1:1; 2 Samuel 7:12-13). Em outras passagens, indica uma ligação marcada pela fé. Quando Paulo chama os que creem de filhos de Abraão, ele não está dizendo que todos descendem fisicamente de Abraão. Está mostrando que eles participam, pela fé, da bênção que Deus prometeu por meio dele (Gálatas 3:7-9).
Esses usos diferentes não devem ser confundidos. E, quando a Bíblia chama Jesus de Filho de Deus, não está dizendo que ele se tornou filho de Deus do mesmo modo que nós nos tornamos ao crer. Esse título fala da relação única de Jesus com o Pai e de quem ele é (João 1:18; 5:18-23). Nós somos recebidos por Deus como filhos por meio dele.
Assim, a Bíblia ensina duas coisas que caminham juntas: os filhos devem ser amados e criados com responsabilidade, e precisam ser apresentados a Deus, não tratados como se já tivessem fé só por nascer numa família cristã. Os pais são chamados a cuidar deles e a apontar-lhes o caminho de Cristo, confiando a Deus aquilo que não conseguem controlar.