A Bíblia apresenta a capacidade de ter filhos como algo bom, mas não diz que toda pessoa vai conseguir ter filhos. Ela também não ensina que a infertilidade seja sinal de pecado, falta de fé ou menor valor diante de Deus.
Desde a criação, ter filhos faz parte do plano de Deus pra humanidade (Gênesis 1:27-28). A Bíblia chama os filhos de dádiva do Senhor (Salmo 127:3). Isso não significa, porém, que uma pessoa precise ser pai ou mãe pra ter uma vida completa ou agradar a Deus. Jesus, por exemplo, não teve filhos, e viveu plenamente de acordo com a vontade do Pai.
A Bíblia fala com muita sensibilidade da dor de quem deseja ter filhos e não consegue. Ana sofreu profundamente por isso e levou sua tristeza a Deus em oração (1 Samuel 1:6-11). Deus lhe concedeu um filho, Samuel. Sara, Rebeca, Raquel e Isabel também passaram por dificuldades pra engravidar antes de terem filhos. Esses relatos mostram que Deus conhece essa dor e pode agir até em situações que parecem impossíveis.
Ao mesmo tempo, é importante não transformar essas histórias numa promessa de que toda oração por um filho terá o mesmo resultado. A Bíblia não faz essa promessa. Também não nos autoriza a procurar uma culpa na pessoa que enfrenta a infertilidade. Vivemos num mundo em que o corpo humano está sujeito a limitações e doenças; isso não quer dizer que cada dificuldade de engravidar seja um castigo por algum pecado pessoal.
Algumas passagens dizem que Deus concedeu a certas mulheres a possibilidade de engravidar (Gênesis 29:31; 30:22). Outras mostram seu cuidado com a criança ainda no ventre da mãe (Salmo 139:13-16). Assim, a Bíblia nos ensina a reconhecer que a vida vem de Deus e que ele se importa tanto com os filhos quanto com as pessoas que esperam por eles.
No Antigo Testamento, Deus também prometeu fertilidade ao povo de Israel como parte das bênçãos ligadas à aliança que havia feito com aquela nação (Êxodo 23:25-26). Essa promessa tinha um contexto específico. Não seria correto usá-la pra dizer que todo cristão obediente necessariamente terá filhos, ou que a infertilidade prova desobediência.
Por fim, Jesus fala de outro tipo de fruto: o resultado de uma vida ligada a ele. Em João 15:4-5, ele ensina que seus discípulos dão fruto ao permanecer nele. Isso aparece numa vida de amor, obediência e serviço a Deus. Ter filhos é uma bênção; não tê-los pode ser uma dor real. Mas a possibilidade de viver perto de Jesus e fazer o bem não depende da capacidade de gerar uma criança.