A Bíblia ensina que não devemos tratar alguém melhor ou pior por causa de dinheiro, aparência, posição social ou origem. Isso é favoritismo: deixar que essas diferenças determinem o respeito, a atenção ou a justiça que damos a uma pessoa.
Tiago dá um exemplo fácil de reconhecer. Ele fala de uma reunião em que chega alguém bem vestido e também alguém pobre, com roupas gastas. A pessoa bem vestida recebe um lugar de honra; a pobre é tratada como menos importante. Tiago diz que isso não combina com a fé em Jesus Cristo. Mais adiante, ele chama esse tipo de favoritismo de pecado, porque vai contra o mandamento de amar o próximo como a si mesmo (Tiago 2:1-9). O problema não era receber bem quem tinha recursos. Era dar valor a uma pessoa e desprezar a outra por causa da aparência e do dinheiro.
A mesma regra vale quando precisamos decidir o que é justo. Levítico 19:15 ensina que ninguém deve favorecer o pobre por ser pobre nem o rico por ser importante. É preciso julgar com justiça. Assim, não mostrar favoritismo não significa ignorar os fatos nem tratar todas as situações como se fossem iguais. Significa não deixar que a condição da pessoa pese mais do que a verdade.
Por trás desse ensino está o modo como Deus age. Paulo afirma que Deus não mostra favoritismo (Romanos 2:11). Isso não quer dizer que Deus aprove tudo o que as pessoas fazem. Quer dizer que ele julga com justiça, sem dar vantagem a alguém por sua posição ou origem. Pedro precisou aprender isso quando entendeu que a boa notícia sobre Jesus também devia ser anunciada a pessoas de outras nações, e não só aos judeus (Atos 10:34-35).
O cuidado precisa aparecer também dentro da igreja. Paulo orientou Timóteo a não agir com parcialidade ao lidar com questões da comunidade (1 Timóteo 5:21). Seja numa decisão importante, seja na maneira de receber alguém, a pergunta é a mesma: estou tratando essa pessoa com respeito e justiça, ou estou deixando sua aparência, seus recursos ou minha preferência pessoal decidirem por mim?
Ter mais intimidade com um amigo ou dar atenção especial a alguém que precisa de ajuda não é, por si só, favoritismo. O erro é negar a outros o respeito e a justiça que lhes são devidos. Seguir o ensino bíblico, portanto, é amar as pessoas sem medir o valor delas pelo que possuem ou pelo lugar que ocupam.