A Bíblia não ensina que se divertir é pecado. Descansar, rir, estar com amigos e aproveitar coisas boas da vida podem fazer parte de uma vida que agrada a Deus. Eclesiastes 3:12-13 fala da alegria de comer, beber e desfrutar o fruto do trabalho como um presente de Deus.
A questão, então, não é só “Posso fazer isso?”, mas também “O que essa diversão está fazendo comigo e com as pessoas ao meu redor?” Paulo ensina que devemos fazer tudo em nome de Jesus e com gratidão a Deus (Colossenses 3:17). Isso inclui o tempo livre. Se uma atividade depende de crueldade, alimenta desejos que a Bíblia condena ou me leva a agir contra aquilo que sei ser certo, não posso tratá-la como inofensiva só porque é entretenimento.
Também importa saber se tenho liberdade pra parar. Paulo diz que nem tudo o que é permitido faz bem e que ele não se deixaria dominar por coisa alguma (1 Coríntios 6:12). Um passatempo pode não ser errado em si e, ainda assim, começar a tomar o tempo que devo à família, ao trabalho ou ao descanso de que preciso. Nesse caso, o problema não é necessariamente o passatempo, mas o lugar que ele passou a ocupar na minha vida.
Há ainda o cuidado com os outros. Em 1 Coríntios 8, Paulo explica que o cristão não deve usar sua liberdade sem pensar em como isso pode afetar alguém mais vulnerável. Por exemplo, mesmo que uma pessoa entenda que pode beber com moderação, oferecer bebida a alguém que luta contra o alcoolismo seria falta de amor. Isso não significa viver com medo da opinião de todos, mas levar a sério necessidades reais das pessoas.
Por fim, estar com quem não compartilha da nossa fé não é, por si só, um problema: Jesus se sentava à mesa com pessoas muito diferentes dele. O importante é não deixar que a companhia ou o ambiente nos conduzam a fazer o que desagrada a Deus. Se uma conversa, uma festa ou outro programa exige que eu abandone minhas convicções pra participar, posso dizer não.
Deus não nos pede uma vida sem alegria. Ele nos ensina a receber os momentos bons com gratidão e a escolher com sabedoria como aproveitá-los. Uma boa maneira de avaliar uma diversão é perguntar: isso me faz bem? Estou mantendo minha liberdade de parar? Estou tratando os outros com amor? Posso agradecer a Deus por esse momento?