A Bíblia de Lutero é uma tradução da Bíblia para o alemão feita por Martinho Lutero com a ajuda de outros estudiosos. O Novo Testamento foi publicado em 1522, e a Bíblia completa, em 1534. Ela recebeu esse nome por causa do tradutor, não porque seja uma Bíblia com livros escritos por Lutero.
Lutero queria que as pessoas pudessem ler as Escrituras numa língua que entendessem. Na época, a tradução mais usada nas igrejas do Ocidente era em latim, uma língua que grande parte da população não compreendia. Já existiam traduções alemãs antes da dele, mas Lutero procurou fazer uma versão fiel aos textos antigos e, ao mesmo tempo, clara pra quem falava alemão no dia a dia.
Ele começou pelo Novo Testamento, traduzido a partir do grego durante o período em que ficou abrigado no castelo de Wartburg. Depois, trabalhou no Antigo Testamento, principalmente a partir do hebraico, com a colaboração de estudiosos como Filipe Melanchthon. Traduzir bem não era apenas trocar palavras de uma língua por outras: era preciso entender o que o texto dizia e encontrar uma forma de dizer aquilo em alemão sem perder o sentido.
A obra teve grande importância pra Reforma Protestante. Um dos pontos defendidos pelos reformadores era que os ensinamentos da igreja deveriam ser examinados à luz das Escrituras (Atos 17:11; 2 Timóteo 3:16-17). Uma Bíblia em alemão tornava essa leitura mais acessível. Isso não significa que todos passaram a ter um exemplar ou sabiam ler, mas a tradução ajudou a levar o texto bíblico a muito mais gente.
Ela também influenciou a língua alemã, porque foi amplamente lida e ajudou a estabelecer maneiras de escrever e falar que se tornaram conhecidas em diferentes regiões. Suas edições passaram por revisões desde então.
Portanto, quando alguém fala na Bíblia de Lutero, está falando de uma tradução alemã historicamente importante: ela tornou as Escrituras mais compreensíveis pra muitos leitores e teve um papel marcante na expansão da Reforma.