A Bíblia fala de condenação porque leva o pecado a sério. Quando alguém faz o mal, isso não afeta só sua relação com Deus: também machuca outras pessoas. Seria difícil chamar Deus de justo se ele simplesmente ignorasse tudo isso. Mas a Bíblia não fala de condenação pra deixar as pessoas sem esperança. Ela mostra por que precisamos de perdão e o que Deus fez pra nos oferecer esse perdão.
Segundo a Bíblia, o problema não é que algumas pessoas sejam más e outras não precisem se preocupar. Todos nós pecamos (Romanos 3:23). Pecar inclui coisas que reconhecemos facilmente, como mentir ou prejudicar alguém, mas também viver sem dar a Deus o lugar que lhe cabe. É por isso que a separação causada pelo pecado não pode ser resolvida apenas com a ideia de que somos “boas pessoas no geral” (Isaías 59:2).
A lei que Deus deu a Israel ajudava a deixar isso claro. Seus mandamentos mostravam como o povo deveria viver, mas também revelavam quando ele desobedecia. Paulo explica que a lei nos faz reconhecer o pecado; ela não tem o poder de nos tornar justos diante de Deus (Romanos 3:19-20). O problema, portanto, não estava nos mandamentos. Estava nas pessoas, que não conseguiam obedecer a Deus como deveriam.
Os sacrifícios oferecidos no Antigo Testamento também mostravam duas coisas importantes: o pecado precisava ser tratado, e Deus oferecia um caminho de perdão. Mas a morte dos animais não era, por si só, capaz de remover definitivamente os pecados. Hebreus diz que aqueles sacrifícios lembravam o povo de seus pecados e aponta pra Jesus como aquele que ofereceu o sacrifício suficiente de uma vez por todas (Hebreus 10:1-4, 10-14). As pessoas que viveram antes de Jesus não eram perdoadas por mérito próprio ou porque cumpriam um ritual; dependiam da misericórdia de Deus, recebida com fé (Romanos 4:1-8).
É aqui que a insistência da Bíblia na condenação ganha sentido. Deus não nos avisa sobre o juízo sem nos mostrar a salvação. Jesus disse que Deus enviou seu Filho ao mundo pra salvá-lo. Na mesma conversa, porém, explicou que rejeitar o Filho é permanecer sob condenação (João 3:16-18). O aviso é sério justamente porque a escolha importa.
Isso também ajuda a entender por que a Bíblia não termina dizendo apenas “todos pecaram”. Ela anuncia que Jesus morreu pelos pecadores e que, por meio dele, podemos ser reconciliados com Deus (Romanos 5:8-11). Pra quem está em Cristo, a condenação já não é o destino: Deus o recebe e lhe dá uma nova vida (Romanos 8:1-4).
Então, por que a Bíblia fala tanto de condenação? Porque não esconde a gravidade do mal nem as consequências de rejeitar a Deus. Mas seu objetivo não é fazer você pensar que não há saída. É mostrar, com a mesma clareza, que o perdão e a vida estão disponíveis em Jesus Cristo.