Pastor Antônio Junior

Mensagens evangélicas, devocionais e perguntas e respostas do Pastor Antônio Junior.

Como a Bíblia chegou a ter os livros que conhecemos hoje?

Autor: Admin

Publicado: 2026-11-05

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A Bíblia não foi reunida de uma vez só, nem houve uma reunião em que alguém escolheu todos os seus livros. Eles foram escritos ao longo de muitos séculos. Depois, o povo judeu e, mais tarde, os cristãos reconheceram quais escritos deveriam ser recebidos como Escritura. Esse processo aconteceu em momentos diferentes para o Antigo e o Novo Testamento.

É isso que significa cânone bíblico: o conjunto dos livros reconhecidos como Escritura. A distinção importante é esta: na compreensão cristã, um livro não se tornou inspirado porque foi colocado numa lista. Se Deus inspirou aquele escrito, ele já tinha autoridade. A tarefa das pessoas era reconhecê-la. Ao mesmo tempo, a Bíblia não traz uma lista completa de seus próprios livros. Por isso, precisamos olhar tanto para o que ela diz quanto para a história de como esses escritos foram recebidos.

## E os livros do Antigo Testamento?

O Antigo Testamento reúne escritos ligados à história de Israel, como a Lei de Moisés, os profetas, os salmos e outros livros. Quando Jesus e os apóstolos falavam das Escrituras, eram esses escritos que já existiam e eram conhecidos entre os judeus. Jesus, por exemplo, se referiu à Lei de Moisés, aos Profetas e aos Salmos ao explicar o que as Escrituras diziam a respeito dele (Lucas 24:44).

A formação e o reconhecimento desse conjunto levaram tempo. Não há uma data única em que todos os judeus tenham decidido, numa reunião, quais livros pertenciam às Escrituras. Também é bom saber que a Bíblia judaica conta 24 livros, enquanto o Antigo Testamento protestante conta 39. Nesse caso, a diferença é principalmente de organização: livros que aparecem separados nas Bíblias protestantes são reunidos na Bíblia judaica. O conteúdo é o mesmo.

Há, porém, uma diferença real entre as tradições cristãs quanto a outros escritos antigos, como Tobias, Judite e Macabeus. A Igreja Católica recebe esses livros como parte do Antigo Testamento e os chama de *deuterocanônicos*. As igrejas protestantes não os incluem no cânone, embora reconheçam que podem conter informações históricas úteis. Portanto, quando alguém fala do “cânone da Bíblia”, é importante saber de qual tradição cristã está falando.

## E os livros do Novo Testamento?

Os livros do Novo Testamento surgiram no primeiro século, no tempo dos apóstolos e de pessoas ligadas a eles. Antes de existir uma lista completa dos 27 livros, os cristãos já liam e compartilhavam esses escritos. Paulo, por exemplo, orientou que uma de suas cartas fosse lida também em outra igreja (Colossenses 4:16). E 2 Pedro 3:15-16 se refere às cartas de Paulo ao lado das demais Escrituras.

Isso não quer dizer que todas as igrejas tivessem, desde o começo, a mesma coleção completa. As comunidades ficavam em lugares diferentes, e os textos precisavam circular entre elas. Além disso, surgiram escritos que usavam nomes de apóstolos sem terem sido escritos por eles. Era necessário examinar o que deveria ser recebido como Escritura.

Nesse exame, algumas perguntas tinham grande peso: o escrito vinha de um apóstolo ou de alguém próximo a ele? Seu ensino concordava com a mensagem que os apóstolos transmitiram sobre Jesus? Ele já era conhecido e recebido pelas igrejas? Essas perguntas ajudavam a distinguir os escritos apostólicos de obras posteriores. Não eram uma fórmula capaz de produzir inspiração; serviam para avaliar os livros que as igrejas recebiam.

Muitos livros do Novo Testamento foram amplamente aceitos cedo. Outros, como Hebreus, Tiago, 2 Pedro, 2 João e 3 João, tiveram sua autoria ou seu uso discutidos por mais tempo em algumas regiões. Isso explica por que encontramos listas antigas que ainda não são idênticas à lista atual.

Uma dessas listas é o chamado Fragmento Muratoriano, geralmente situado no fim do segundo século. Ele mostra que boa parte do Novo Testamento já era reconhecida, mas não apresenta exatamente os 27 livros de hoje. No quarto século, encontramos a primeira lista conhecida que corresponde exatamente aos 27 livros do Novo Testamento atual, numa carta de Atanásio, do ano 367. Concílios regionais realizados depois, como os de Hipona, em 393, e Cartago, em 397, também registraram esses 27 livros.

Esses concílios não escreveram os livros nem lhes deram autoridade por votação. Eles expressaram o reconhecimento que havia se consolidado nas igrejas. Também não resolveram todas as diferenças entre as tradições cristãs, especialmente as que dizem respeito aos livros do Antigo Testamento.

Então, quando o cânone foi compilado? Não há uma única data para a Bíblia inteira. O reconhecimento das Escrituras judaicas aconteceu antes do cristianismo e ao longo de um período extenso. O reconhecimento dos 27 livros do Novo Testamento foi se firmando nos primeiros séculos da igreja e aparece claramente documentado no quarto século.

A maneira mais simples de guardar a resposta é esta: os livros foram escritos primeiro; depois, foram recebidos e reunidos como Escritura. Para os cristãos, a autoridade desses livros vem de Deus. A história do cânone mostra como pessoas e comunidades chegaram a reconhecê-los — com ampla concordância sobre o Novo Testamento, mas com uma diferença que permanece entre tradições cristãs quanto a parte dos livros do Antigo Testamento.