Sim. A Bíblia não usa a palavra *aculturação*, mas fala de pessoas que passaram a viver entre povos de outros costumes. A orientação que ela dá é esta: podemos aprender com outra cultura e nos adaptar a ela, mas não devemos adotar práticas que contrariem a vontade de Deus.
Pense em alguém que muda de país. Aprender a língua, conhecer a comida e entender os costumes locais pode ajudar essa pessoa a conviver bem com os outros. A Bíblia não condena esse tipo de adaptação. Rute, por exemplo, era moabita e passou a viver entre os israelitas. Sua história mostra que alguém de outro povo podia ser acolhido e fazer parte da vida de Israel (Rute 1–4).
O cuidado da Bíblia aparece principalmente quando a adaptação envolve a fé e a maneira de viver. Deus advertiu Israel para que não imitasse o culto aos deuses dos povos vizinhos nem adotasse práticas que ele havia proibido (Deuteronômio 12:29–31). O problema não era conviver com pessoas de outra origem. Era deixar de obedecer a Deus para seguir outros deuses. Esse foi o risco que a ordem contra certos casamentos procurava evitar: que os israelitas fossem levados a abandonar o Senhor (Deuteronômio 7:3–4).
Daniel oferece outro exemplo. Levado para a Babilônia, ele recebeu formação e passou a servir naquele reino estrangeiro. Ainda assim, quando surgiu uma questão em que entendeu que precisava permanecer fiel a Deus, não cedeu (Daniel 1:3–8). Ele viveu naquela cultura sem aceitar tudo o que ela lhe oferecia.
Para os cristãos, Paulo ensina a não tomar os padrões deste mundo como medida para a própria vida, mas a buscar uma mente renovada para reconhecer a vontade de Deus (Romanos 12:2). Ao mesmo tempo, ele procurava se aproximar de pessoas de diferentes origens para lhes anunciar o evangelho, sem deixar de obedecer a Cristo (1 Coríntios 9:19–23).
Portanto, a pergunta não é simplesmente se um costume veio de outra cultura. É: esse costume me ajuda a conviver e a fazer o bem, ou me leva a desobedecer a Deus? Aprender uma língua, apreciar uma comida ou respeitar hábitos diferentes pode ser muito bom. Adotar a idolatria, a injustiça ou uma prática contrária ao ensino bíblico é outra coisa. A Bíblia nos ensina a fazer essa diferença, seja diante da cultura de outro povo, seja diante da nossa própria.