Paulo está louvando a Deus pelo que ele fez por nós por meio de Jesus. Nesse versículo, “bendito seja” não quer dizer que Deus precisa receber alguma coisa que lhe falta. Quer dizer que ele merece ser reconhecido e louvado.
O restante do versículo explica o motivo desse louvor: Deus nos abençoou em Cristo com toda bênção espiritual nas regiões celestiais (Efésios 1:3). E Paulo não deixa a expressão “bênção espiritual” sem explicação. Logo depois, ele fala da graça de Deus, da adoção como seus filhos, do perdão dos pecados e da esperança que temos em Cristo (Efésios 1:4-14). São dádivas ligadas à nossa relação com Deus, não uma promessa de que teremos dinheiro, saúde ou uma vida sem dificuldades.
Mas por que Paulo chama Deus de “Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo”? Porque é por Jesus que conhecemos o Pai e recebemos essas bênçãos. O Pai enviou o Filho, e Jesus veio ao mundo para nos salvar. Chamar o Pai de “Deus de Jesus” não significa que Jesus não seja divino. A Bíblia também apresenta Jesus como o Filho que estava com o Pai antes de vir ao mundo e que compartilha da sua glória (João 1:1-3; 17:5). Em Efésios, Paulo está destacando a relação de Jesus com o Pai e o que Deus fez por nós por meio dele.
A expressão “nas regiões celestiais” também não quer dizer que essas bênçãos só começarão depois da morte. Paulo fala de coisas que os cristãos já receberam em Cristo e, mais adiante, diz que Deus já os uniu à vida de Cristo ressuscitado (Efésios 2:4-6). Ao mesmo tempo, ainda esperamos o dia em que veremos plenamente tudo o que Deus prometeu. Por isso, o Espírito Santo é apresentado como garantia da nossa herança futura (Efésios 1:13-14).
Então, o sentido da frase é simples e profundo: Paulo começa agradecendo e louvando ao Pai porque, em Jesus Cristo, Deus nos deu aquilo de que mais precisávamos: sua graça, seu perdão e o privilégio de pertencermos a ele.