Jesus não estava dizendo que sofrer é bom ou que toda pessoa triste será feliz automaticamente. Em Mateus 5:4, ele chama de bem-aventurados os que choram porque Deus vai consolá-los. A bênção não está na dor em si, mas na resposta de Deus a quem sofre.
Isso faz mais sentido quando olhamos o começo do Sermão da Montanha. Jesus está ensinando seus discípulos sobre a vida no Reino de Deus (Mateus 5:1-3). Logo antes, ele chama de bem-aventurados os “pobres em espírito”: pessoas que reconhecem que precisam de Deus, em vez de achar que conseguem resolver tudo sozinhas. Por isso, o choro do versículo seguinte inclui a tristeza de quem reconhece o próprio pecado e se arrepende. Não é apenas sentir culpa; é deixar de justificar o erro e se voltar pra Deus. Paulo também fala de uma tristeza que leva ao arrependimento, em vez de terminar em desespero (2 Coríntios 7:10).
Mas não precisamos limitar as palavras de Jesus somente ao arrependimento. Seus seguidores também choram diante da injustiça, das perdas e de tudo o que há de errado neste mundo. A promessa é que Deus não vai abandonar essas pessoas à própria dor. Ele oferece perdão a quem se arrepende, amparo em meio ao sofrimento e, no fim, acabará com a morte e com o choro (Apocalipse 21:4).
Então, “bem-aventurados” não significa “alegres por estarem chorando”. Significa que, mesmo numa situação que ninguém escolheria, eles podem contar com Deus. Jesus não pede que a pessoa finja estar bem. Ele promete consolo a quem, em sua tristeza, se volta pra Deus.