Jesus está falando de gente que deseja profundamente que as coisas sejam certas diante de Deus. Assim como uma pessoa com fome procura comida e uma pessoa com sede procura água, quem tem fome e sede de justiça não se conforma com o pecado na própria vida nem com o mal que vê ao redor. Quer viver de um jeito que agrada a Deus e ver a vontade dele sendo feita. É a essas pessoas que Jesus promete: elas serão satisfeitas (Mateus 5:6).
Essa justiça começa no nosso relacionamento com Deus. Não conseguimos nos tornar justos diante dele apenas tentando ser pessoas melhores. Precisamos do perdão e da nova vida que recebemos por meio de Jesus Cristo, pela fé, não como recompensa pelas nossas boas ações (Romanos 3:22-24; Efésios 2:8-9). Por isso, ter fome e sede de justiça não significa achar que já somos bons o bastante. Significa reconhecer que precisamos de Deus e desejar aquilo que só ele pode nos dar.
Mas esse desejo não termina no perdão. Quem se aproxima de Deus também quer aprender a fazer o que é certo: tratar as pessoas com honestidade, ter misericórdia e abandonar o que sabe que é errado. Mais adiante no mesmo sermão, Jesus ensina seus ouvintes a buscar em primeiro lugar o reino de Deus e a sua justiça (Mateus 6:33). A fome de justiça aparece, portanto, tanto na maneira como nos relacionamos com Deus quanto na maneira como vivemos com os outros.
E o que significa “serão satisfeitos”? Deus já começa a atender esse desejo quando nos recebe por meio de Cristo e transforma nossa vida. Ao mesmo tempo, a promessa aponta pra algo que ainda esperamos: o dia em que Deus acabará de vez com o pecado e com a injustiça (2 Pedro 3:13). Jesus não está dizendo que seus seguidores nunca mais vão sofrer ou se entristecer com o mal. Ele está dizendo que o desejo deles pelo que é certo não será em vão.
Essa é a bênção: Deus recebe quem busca nele a justiça que não consegue produzir sozinho e continua agindo até que sua vontade seja plenamente realizada.