Isaías está mostrando que os deuses da Babilônia não podiam salvar ninguém. Bel e Nebo eram divindades importantes para os babilônios, mas suas imagens acabariam sendo carregadas como peso sobre animais. Em vez de proteger o povo, elas próprias precisariam ser transportadas. É nesse sentido que Bel “se curva” e Nebo “se abaixa”: os deuses que pareciam poderosos são apresentados como derrotados e impotentes.
Bel era um título associado a Marduque, o principal deus da Babilônia. Nebo, também chamado Nabu, era outra divindade importante. Isaías não está dizendo que dois deuses verdadeiros se ajoelharam diante do Senhor. Ele fala dos ídolos que os babilônios adoravam e mostra o que acontece quando as pessoas esperam salvação de algo feito por mãos humanas.
O contraste fica ainda mais claro nos versículos seguintes. As imagens de Bel e Nebo são postas sobre animais, mas não conseguem aliviar a carga nem livrar seus adoradores (Isaías 46:1-2). Já ao falar com Israel, Deus diz o contrário: desde o começo da existência daquele povo, foi ele quem o sustentou, e continuaria a cuidar dele (Isaías 46:3-4). Os ídolos precisam ser carregados; Deus é quem carrega e sustenta o seu povo.
Mais adiante, Isaías descreve pessoas que fazem um ídolo, colocam-no num lugar e pedem ajuda a ele. A imagem permanece ali, sem responder nem salvar (Isaías 46:6-7). O problema, portanto, não era apenas que Bel e Nebo perderiam seu prestígio com a queda da Babilônia. Eles nunca tiveram o poder que seus adoradores lhes atribuíam.
Isaías 46:1 é um chamado pra confiar no Deus vivo, não naquilo que parece poderoso, mas não pode nos salvar. Para Israel, isso significava não temer os deuses da Babilônia nem depender deles. Para nós, a pergunta continua importante: aquilo em que colocamos nossa esperança consegue mesmo nos sustentar quando mais precisamos?