Significa reconhecer a autoridade do filho e se submeter a ele. O salmo não está mandando as pessoas dar um beijo literal. Ele fala de uma forma de demonstrar respeito e lealdade a alguém que foi colocado como rei.
O Salmo 2 começa com governantes se rebelando contra Deus e contra o rei que ele escolheu (Salmo 2:1-2). Deus, porém, declara esse rei como seu “filho” (Salmo 2:6-7). Por isso, no fim do salmo, os governantes recebem uma advertência: em vez de continuar lutando contra ele, devem agir com sabedoria, servir ao Senhor e honrar seu filho (Salmo 2:10-12).
Naquela época, um beijo podia ser um gesto de respeito ou lealdade. Quando Samuel ungiu Saul como rei, por exemplo, ele o beijou (1 Samuel 10:1). É nesse sentido que “beijar o filho” faz sentido no Salmo 2: deixar a rebeldia e reconhecer o rei escolhido por Deus. O salmo termina dizendo que são felizes os que nele se refugiam, mostrando que o convite não é apenas pra evitar o julgamento, mas também pra buscar proteção em Deus.
E quem é esse filho? O salmo fala, primeiro, da realeza que Deus estabeleceu em Israel. Mas o Novo Testamento mostra que suas palavras também apontam pra Jesus. Em Atos 4:25-27, os seguidores de Jesus aplicam a oposição descrita no Salmo 2 ao que aconteceu com ele. Em Atos 13:33, a declaração sobre o filho é relacionada a Jesus.
Assim, para o cristão, a resposta ao convite do salmo é honrar Jesus, confiar nele e reconhecer sua autoridade. Isso não quer dizer apenas tratar Jesus com respeito enquanto se ignora o que ele diz. É abandonar a oposição a ele e se voltar pra Deus por meio dele, como Jesus ensina em João 14:6.
Há uma dificuldade de tradução nesse versículo: a expressão hebraica traduzida por “beijar o filho” recebe outras traduções em algumas versões da Bíblia. Por isso, não convém apoiar toda a explicação numa única palavra. Ainda assim, o sentido do trecho é claro: os governantes são chamados a parar de desafiar a Deus e a acolher o rei que ele estabeleceu.