João Batista disse que batizava as pessoas com água, mas que Jesus faria algo que ele não podia fazer: batizaria com o Espírito Santo e com fogo (Mateus 3:11). João chamava as pessoas a se arrepender e as batizava como sinal dessa mudança. Jesus, porém, daria o Espírito Santo. A dúvida está na palavra “fogo”: ela fala de uma transformação na vida de quem crê ou do julgamento de quem rejeita a Deus?
O contexto ajuda a entender. Pouco antes dessa fala, João adverte pessoas que confiavam em sua origem religiosa, mas não demonstravam arrependimento. Ele diz que a árvore que não produz bom fruto será cortada e lançada ao fogo (Mateus 3:7-10). Logo depois, compara as pessoas ao trigo e à palha: Jesus recolherá o trigo, mas queimará a palha num fogo que não se apaga (Mateus 3:12). Por isso, há uma razão forte pra entender que, nesse anúncio, o fogo se refere ao julgamento. João está dizendo que a chegada de Jesus trará bênção pra quem se volta a Deus e julgamento pra quem insiste em rejeitá-lo.
E o que é ser batizado com o Espírito Santo? É receber o Espírito que Jesus prometeu aos seus seguidores. Depois que Jesus morreu, ressuscitou e subiu ao céu, essa promessa começou a se cumprir de maneira marcante no Pentecostes (Atos 1:5; 2:1-4). Paulo explica que todos os que pertencem a Cristo participam do Espírito e passam a fazer parte de um só corpo, a igreja (1 Coríntios 12:13). Portanto, não se trata de uma experiência reservada apenas a alguns cristãos.
Existe também outra interpretação para o “fogo”: alguns entendem que ele representa a ação do Espírito purificando a vida de quem crê. Essa leitura costuma ser relacionada às línguas que pareciam de fogo no Pentecostes (Atos 2:3). É verdade que o Espírito transforma os seguidores de Jesus. Mas, em Mateus 3, o fogo aparece antes e depois da fala de João como imagem de julgamento. Além disso, Atos diz que aquelas línguas *pareciam* de fogo; não afirma que todos os cristãos precisam passar por um batismo de fogo.
Assim, a explicação mais ligada ao contexto é esta: Jesus dá o Espírito Santo aos que são seus, mas também julgará os que não se arrependem. João não estava convidando as pessoas a buscar uma experiência chamada “batismo de fogo”. Ele estava anunciando que ninguém deveria tratar a vinda de Jesus com indiferença.