O batismo é uma ordem de Jesus e deve fazer parte da vida de quem crê nele. Mas a água, por si só, não salva. A salvação é recebida pela fé em Cristo, por causa do que ele fez por nós. O batismo é a maneira pela qual o cristão expressa sua fé e obedece publicamente a Jesus.
“Regeneração batismal” é o nome dado à ideia de que a pessoa recebe uma nova vida espiritual por meio do batismo. Há cristãos que entendem que Deus age no batismo de um modo diretamente ligado à salvação; outros entendem que o batismo mostra uma mudança que Deus já fez na pessoa. Por isso, vale ouvir com cuidado o que cada posição quer dizer, sem concluir que todo cristão que liga o batismo à salvação esteja dizendo que a água tem poder mágico ou que podemos merecer a vida eterna.
A razão principal para não tratar o batismo como condição indispensável para ser salvo é que o Novo Testamento apresenta Cristo como aquele que salva e a fé como a maneira de recebê-lo. Quando perguntaram a Paulo e Silas o que era preciso fazer para ser salvo, eles responderam que a pessoa deveria crer no Senhor Jesus (Atos 16:30-31). Paulo também ensina que somos salvos pela graça de Deus, mediante a fé, e não por algo que fazemos para merecer isso (Efésios 2:8-9).
Um acontecimento ajuda a entender a diferença. Na casa de Cornélio, pessoas ouviram a mensagem sobre Jesus e receberam o Espírito Santo *antes* de serem batizadas. Depois disso, Pedro mandou que fossem batizadas (Atos 10:44-48). O batismo não foi dispensado nem tratado como algo sem importância. Mas a ordem dos acontecimentos mostra que Deus já havia acolhido aquelas pessoas antes de elas entrarem na água.
Então por que algumas passagens falam do batismo de um jeito tão ligado à salvação? Em Atos 2:38, por exemplo, Pedro manda seus ouvintes se arrependerem e serem batizados. Em 1 Pedro 3:21, ele chega a dizer que o batismo salva. Não seria honesto ignorar essas palavras. Nos primeiros tempos da igreja, crer em Jesus e ser batizado normalmente aconteciam juntos: quem recebia a mensagem era batizado. Por isso, os autores bíblicos podiam falar do batismo ao descrever a resposta da pessoa ao evangelho, sem necessariamente ensinar que o ato de entrar na água, isolado da fé, produz salvação.
O próprio Pedro esclarece que, em 1 Pedro 3:21, não está falando de lavar a sujeira do corpo. Ele liga o batismo à resposta da pessoa diante de Deus e à ressurreição de Jesus. O poder de salvar não está na água, mas no Cristo ressuscitado, a quem a pessoa se volta. Cristãos interpretam os detalhes dessa passagem de maneiras diferentes, mas ela certamente não apresenta o batismo como uma simples lavagem capaz de tirar pecados por si mesma.
Também precisamos evitar o erro contrário: dizer que, já que o batismo não é o que nos salva, ele é opcional ou sem valor. Jesus mandou fazer discípulos e batizá-los (Mateus 28:19). O batismo mostra, de forma visível, nossa ligação com Jesus em sua morte e ressurreição e com a nova vida que ele nos dá (Romanos 6:3-4). Quem confia em Cristo deve querer obedecer a essa ordem. Ao mesmo tempo, não devemos afirmar que alguém que creu verdadeiramente em Jesus está perdido só porque morreu antes de ter a oportunidade de ser batizado. Jesus prometeu estar com o criminoso que se voltou para ele na cruz, embora aquele homem não pudesse ser batizado (Lucas 23:39-43).
Em resumo: não é o batismo que torna a obra de Jesus suficiente para nos salvar. Confiamos em Jesus para receber a salvação; somos batizados porque pertencemos a ele e queremos obedecê-lo.