O Novo Testamento mostra repetidas vezes pessoas ouvindo o evangelho, crendo em Jesus e depois sendo batizadas. É por isso que muitos cristãos entendem que o batismo deve acontecer depois de a própria pessoa professar sua fé. Essa prática é chamada de *batismo do crente* ou *credobatismo*.
O exemplo mais claro aparece no dia de Pentecostes. Pedro anunciou a morte e a ressurreição de Jesus e chamou seus ouvintes ao arrependimento. Então, os que acolheram sua mensagem foram batizados (Atos 2:37-41). A sequência é fácil de acompanhar: eles ouviram, responderam à mensagem e foram batizados. Algo parecido acontece com o etíope a quem Filipe explicou as Escrituras: depois de ouvir as boas notícias sobre Jesus, ele pediu para ser batizado (Atos 8:35-38).
Jesus mandou seus seguidores fazer discípulos e batizá-los (Mateus 28:19-20). Para quem defende o batismo do crente, essa ordem combina com os relatos de Atos: o batismo identifica publicamente alguém como seguidor de Cristo. Não é apenas um costume familiar; é uma resposta à mensagem de Jesus.
Isso significa que a Bíblia proíbe expressamente o batismo de bebês? Não. Nenhuma passagem apresenta uma proibição com essas palavras. Também não há um relato que diga claramente que um bebê foi batizado. Alguns textos falam do batismo de famílias inteiras, como a de Lídia e a do carcereiro de Filipos (Atos 16:14-15, 29-34). Mas não dizem a idade de todos os membros dessas famílias. Por isso, não dá para usar esses relatos, sozinhos, nem para provar nem para descartar o batismo infantil.
Cristãos que batizam filhos pequenos não fazem todos isso por acreditar que a água salva a criança. Muitos entendem o batismo como sinal de que ela pertence a uma família da comunidade da fé, à semelhança dos sinais dados aos filhos do povo de Deus no Antigo Testamento. Essa interpretação faz uma ligação entre as alianças bíblicas e o batismo, especialmente a partir de passagens como Colossenses 2:11-12. Já os defensores do batismo do crente respondem que, no Novo Testamento, o padrão apresentado para o batismo é a pessoa ouvir o evangelho e responder a ele com fé. A diferença está, portanto, em quem deve receber o sinal e em que momento, não simplesmente em quem leva a fé mais a sério.
Há ainda uma distinção importante: defender o batismo do crente não significa dizer que o batismo salva. A salvação vem de Cristo e é recebida pela fé, não pelo ato de entrar na água (Romanos 5:1, 8-9; Efésios 2:8-9). O homem crucificado ao lado de Jesus recebeu dele a promessa de estar no paraíso, embora não tivesse como ser batizado (Lucas 23:39-43). Ao mesmo tempo, isso não torna o batismo dispensável: Jesus o ordenou, e os primeiros cristãos o praticavam como parte normal da vida de quem passava a segui-lo.
Assim, há forte apoio bíblico para batizar quem crê e professa sua fé, pois esse é o padrão mais explícito nos relatos do Novo Testamento. A questão debatida entre cristãos que reconhecem a autoridade da Bíblia é se esse padrão também exclui o batismo dos filhos pequenos de famílias cristãs. O texto bíblico não registra um bebê sendo batizado nem traz uma proibição direta dessa prática; por isso, é importante apresentar a conclusão do credobatismo com seus fundamentos, sem fingir que a divergência não existe.