Não é necessário entender Atos 22:16 como uma exigência de que a água do batismo salva a pessoa. Mas a dúvida faz sentido: Ananias diz a Paulo pra se levantar, ser batizado e lavar os pecados, invocando o nome do Senhor. Lida sozinha, a frase pode dar a impressão de que é o batismo que tira os pecados. Por isso, precisamos olhar tanto para o que Ananias disse quanto para o que o restante da Bíblia ensina.
Paulo tinha encontrado Jesus no caminho de Damasco. Depois, Ananias foi até ele, e Paulo recebeu a visão de volta e foi batizado (Atos 9:17-18; 22:6-16). O batismo, portanto, estava diretamente ligado à resposta de Paulo a Jesus. Só que o próprio Paulo ensina que somos salvos pela graça de Deus, por meio da fé, e não por algo que fazemos (Efésios 2:8-9). E, ao falar de como alguém recebe a salvação, ele destaca a fé em Cristo e a invocação do seu nome (Romanos 10:9-13).
Isso ajuda a entender a fala de Ananias. Ele não disse apenas “seja batizado”; também disse “invocando o nome dele” (Atos 22:16). Paulo devia recorrer a Jesus para receber o perdão e expressar publicamente essa fé por meio do batismo. Naquele contexto, crer em Jesus e ser batizado eram passos tão próximos que podiam ser mencionados juntos.
Há um acontecimento em Atos que deixa essa diferença mais clara. Na casa de Cornélio, as pessoas receberam o Espírito Santo enquanto ouviam a mensagem sobre Jesus; só depois foram batizadas com água (Atos 10:44-48). Assim, o batismo não pode ser a condição que sempre precisa ser cumprida antes de Deus acolher alguém.
Não precisamos afirmar com precisão em que instante Paulo foi salvo no caminho de Damasco pra compreender Atos 22:16. O ponto seguro é que o versículo chama Paulo a invocar Jesus e a ser batizado; ele não diz, por si só, que a água produz o perdão. O perdão vem de Cristo e é recebido pela fé. O batismo não substitui essa fé nem acrescenta algo à obra de Jesus. É a resposta pública de quem passou a confiar nele — uma resposta importante, que o cristão não deve desprezar.