Balaão era um homem conhecido por transmitir mensagens espirituais. A história dele chama atenção por um contraste: Deus lhe deu palavras verdadeiras pra dizer, mas Balaão acabou ajudando os inimigos de Israel a levar o povo ao pecado. Sua história aparece principalmente em Números 22 a 24.
Tudo começou quando os israelitas, a caminho da terra que Deus lhes havia prometido, acamparam nas planícies de Moabe. Balaque, rei dos moabitas, ficou com medo deles e mandou chamar Balaão. Ele queria que Balaão amaldiçoasse Israel e ofereceu uma recompensa por isso (Números 22:1-7).
Deus disse a Balaão que não amaldiçoasse aquele povo, porque o havia abençoado. Depois, quando Balaque enviou outra comitiva, Deus permitiu que Balaão fosse, mas com uma condição: ele só poderia dizer o que Deus mandasse (Números 22:12, 20). No caminho, aconteceu o episódio mais conhecido dessa história. Um anjo se colocou diante de Balaão. A jumenta que ele montava viu o anjo e tentou evitá-lo, mas Balaão não viu nada e bateu nela. Deus fez a jumenta falar e, em seguida, abriu os olhos de Balaão para que ele também visse o anjo (Números 22:21-35). O aviso era claro: ele não podia usar aquela viagem pra falar o que Balaque queria ouvir.
Quando chegou, Balaque tentou várias vezes conseguir a maldição. Mas, em vez de amaldiçoar Israel, Balaão anunciou as bênçãos que Deus lhe deu pra transmitir. Balaque mudou Balaão de lugar e insistiu, sem conseguir mudar a mensagem (Números 23–24). Isso mostra que Balaão não era um homem que apenas fingia receber mensagens de Deus. Naqueles momentos, Deus falou por meio dele.
Então por que Balaão é lembrado como um mau exemplo? Porque dizer palavras verdadeiras não significa, por si só, ser fiel a Deus. Mais tarde, Israel foi levado a participar de práticas ligadas à adoração de outros deuses e à imoralidade sexual. Números 31:16 atribui a Balaão a orientação que contribuiu pra isso. Apocalipse 2:14 também diz que ele ensinou Balaque a pôr uma armadilha diante dos israelitas. O pecado teve consequências graves: Números 25 relata a morte de 24 mil pessoas. Balaão morreu depois, numa guerra contra os midianitas (Números 31:8).
O Novo Testamento usa Balaão como advertência, especialmente por causa do desejo de obter recompensa fazendo o que era errado (2 Pedro 2:15; Judas 11). A lição da história não é que as mensagens que Deus lhe deu eram falsas. É que Balaão conheceu a vontade de Deus, chegou a anunciá-la corretamente, mas não permaneceu fiel a ela.