Pastor Antônio Junior

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Por que os israelitas voltavam a adorar Baal e Aserá?

Autor: Admin

Publicado: 2026-11-05

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Porque essa adoração fazia parte da vida dos povos ao redor de Israel e prometia algo que todos desejavam: boas colheitas, rebanhos numerosos e uma vida segura. O problema não era que os israelitas não soubessem o que Deus queria. Ele havia deixado claro que deveriam adorá-lo, e não seguir outros deuses (Êxodo 20:3-5). A dificuldade era continuar confiando nele quando as práticas dos vizinhos pareciam oferecer resultados.

Baal era adorado pelos cananeus como um deus ligado às tempestades e à chuva. Isso tinha muito peso numa terra onde a lavoura dependia da chuva. Aserá era uma divindade feminina; a Bíblia também menciona postes sagrados ligados à sua adoração. Astarote, citada em outros relatos, era outra deusa, e não devemos simplesmente tratar os dois nomes como se fossem da mesma pessoa.

Quando Israel se estabeleceu em Canaã, passou a conviver de perto com povos que adoravam essas divindades. Com o tempo, muitos israelitas adotaram seus costumes. Alguns talvez pensassem que podiam continuar adorando o Senhor e, ao mesmo tempo, recorrer a Baal pra garantir a chuva. Mas, para a Bíblia, isso não era um cuidado extra com a colheita: era deixar de confiar no Deus com quem Israel tinha uma aliança.

O livro de Juízes mostra que o problema começou cedo. Depois da geração de Josué, os israelitas passaram a cultuar os baalins e os postes de Aserá (Juízes 2:10-13; 3:7). A prática chegou até às famílias: Deus mandou Gideão derrubar um altar de Baal que pertencia a seu próprio pai (Juízes 6:25-26). Mais tarde, governantes também a incentivaram. Acabe, por exemplo, promoveu o culto a Baal em Israel, enquanto Jezabel sustentava profetas ligados a esse culto (1 Reis 16:31-33; 18:19).

Havia ainda outras influências. As relações com os povos vizinhos podiam levar os israelitas a participar de suas festas religiosas. Em Números 25:1-3, relações sexuais com mulheres moabitas aparecem junto com a participação nos sacrifícios a seus deuses. Esse episódio mostra como o desejo e a convivência podiam se misturar à idolatria. Mas seria exagero afirmar que todo culto a Baal e Aserá envolvia prostituição ritual; os textos bíblicos não permitem dizer isso sobre todos os casos.

No fundo, a luta era pra decidir em quem confiar. Os israelitas viam a necessidade de chuva e alimento, observavam o que os vizinhos faziam e, muitas vezes, preferiam seguir aquelas práticas a permanecer fiéis ao Senhor. Por isso os profetas trataram a idolatria como uma infidelidade grave, não como uma simples diferença de costumes. Oséias compara a relação de Israel com Deus a um casamento traído, mas também anuncia que Deus chamaria seu povo de volta (Oséias 2:13-20).

Essa história nos ajuda a entender por que a idolatria se repetia tanto: ela oferecia soluções atraentes pra necessidades reais. Israel precisava de colheitas e proteção; o erro estava em buscar essas coisas em outros deuses, abandonando aquele que o havia chamado pra ser seu povo.