Em Levítico 16, Azazel é o nome ligado a um dos dois bodes usados no Dia da Expiação. Os bodes tinham destinos diferentes: um era sacrificado; o outro, conhecido como *bode expiatório*, era enviado vivo ao deserto. Juntos, eles ajudavam o povo de Israel a entender que Deus tratava seus pecados e os afastava deles.
Naquele dia, o sumo sacerdote apresentava os dois bodes diante de Deus e lançava sortes pra definir o destino de cada um. O primeiro era morto, e seu sangue era usado nos rituais de purificação. Depois, o sacerdote colocava as mãos sobre a cabeça do bode vivo e confessava os pecados do povo. Um homem levava esse bode pra longe e o soltava no deserto. O gesto mostrava, de forma visível, que os pecados estavam sendo levados embora (Levítico 16:5-10, 15-22).
Mas o que a palavra “Azazel” quer dizer? Não há uma resposta aceita por todos. Algumas traduções a entendem como referência ao bode que vai embora; outras mantêm *Azazel* como nome próprio. Nesse caso, há quem entenda que o nome se refira a um lugar no deserto, enquanto outros o associam a um ser espiritual. Textos judaicos posteriores também usaram esse nome em histórias sobre anjos caídos, mas essas histórias não explicam com certeza o sentido da palavra em Levítico.
Essa dúvida não muda o ponto principal da passagem. Levítico não apresenta o ritual como um sacrifício oferecido a Azazel. O sacrifício era feito diante do Senhor, e era Deus quem dava ao povo esse meio de lidar com seus pecados. O bode vivo não era morto: ele era enviado embora.
Para os cristãos, essa cena ajuda a entender o que Jesus fez, mas não porque cada detalhe do ritual tenha uma correspondência exata na vida dele. Jesus não foi apenas alguém que levou pecados pra longe. Ele se ofereceu por nós e levou sobre si as consequências do nosso pecado. Isaías 53:6 fala daquele sobre quem o Senhor colocou a culpa do seu povo; Hebreus 9 e 10 explicam que o sacrifício de Cristo realizou de uma vez por todas aquilo que os sacrifícios de animais não podiam realizar definitivamente.
Assim, os dois bodes ensinavam uma verdade que se cumpriu plenamente em Jesus: Deus não ignora o pecado, mas pode perdoar e remover a culpa de quem se aproxima dele por meio de Cristo.