Chamamos de azar uma coisa ruim que acontece sem que a gente esperasse, como perder um objeto importante ou ter um plano atrapalhado por um imprevisto. Quando alguém diz que é “azarado”, geralmente quer dizer que passou por vários contratempos. Mas existe outro sentido: a ideia de que uma pessoa, um objeto ou uma palavra *traz* má sorte. É aí que a pergunta deixa de ser apenas sobre acontecimentos e passa a ser sobre uma crença.
A Bíblia não ensina que algumas pessoas carregam uma força de má sorte. Portanto, não há motivo pra tratar alguém como perigoso porque coisas ruins aconteceram perto dela. Às vezes há coincidências; outras vezes, há escolhas e consequências que podemos entender. E nem todo sofrimento tem uma explicação que nós conhecemos. Jesus deixou isso claro ao falar de pessoas atingidas por uma tragédia: elas não eram mais culpadas do que as outras por terem sofrido aquilo (Lucas 13:1-5).
Há, porém, uma diferença importante entre acreditar em “má sorte” e falar de feitiços ou maldições. A Bíblia proíbe práticas de adivinhação e feitiçaria (Deuteronômio 18:10-12; Gálatas 5:19-21). Ela não trata a tentativa de buscar poder espiritual pra controlar ou prejudicar alguém como uma brincadeira inofensiva. Ao mesmo tempo, essa proibição não significa que toda pessoa que diz lançar uma maldição realmente tenha poder pra fazê-la acontecer.
O episódio de Balaão ajuda a entender essa diferença. Um rei queria que Balaão amaldiçoasse o povo de Israel, mas Deus não permitiu. Balaão reconheceu que não podia amaldiçoar quem Deus não havia amaldiçoado (Números 22–23, especialmente 23:8). O relato mostra a intenção do rei e a proteção de Deus; não prova que uma maldição teria funcionado se Balaão a tivesse pronunciado.
Em Atos 8:9-24, Simão praticava magia e impressionava as pessoas. Depois, ao ver o que acontecia por meio dos apóstolos, quis obter aquele poder. A passagem não explica exatamente como ele fazia suas práticas anteriores, então não devemos afirmar mais do que ela diz. O ponto do relato é que o poder de Deus não podia ser comprado nem controlado por Simão.
Assim, se “azarado” quer dizer alguém que tem enfrentado muitos problemas, é uma maneira comum de falar. Mas, se quer dizer que a pessoa *causa* desgraças por estar presente, não há base bíblica pra tratá-la dessa forma. E, diante de ameaças de feitiços ou maldições, a resposta cristã não é viver com medo nem procurar outra prática espiritual pra se proteger. É rejeitar a feitiçaria e confiar em Deus, que tem autoridade acima de qualquer pessoa que diga possuir esse poder.