Não sabemos ao certo quem escreveu Hebreus. O livro não dá o nome do autor. Diferentemente das cartas de Paulo, que normalmente começam identificando quem escreve, Hebreus começa falando diretamente sobre Deus e seu Filho (Hebreus 1:1-4).
Durante muitos séculos, cristãos atribuíram o livro a Paulo. Há motivos para entender por quê. Hebreus menciona Timóteo, que trabalhou com Paulo (Hebreus 13:23), e termina com uma saudação parecida com as de suas cartas. Além disso, seus ensinamentos sobre Jesus e a fé não entram em conflito com os de Paulo. Mas nenhuma dessas semelhanças prova que ele tenha sido o autor: outras pessoas do seu círculo conheciam Timóteo e compartilhavam a mesma fé.
Também há razões pra ter cautela com essa atribuição. O modo de escrever Hebreus é bem diferente do que encontramos nas cartas de Paulo. E, em Hebreus 2:3, o autor parece se incluir entre aqueles que receberam a mensagem sobre a salvação por meio de pessoas que ouviram Jesus. Paulo, por sua vez, afirmou ter recebido sua mensagem diretamente de Cristo (Gálatas 1:12). Esse versículo não resolve a questão sozinho, mas ajuda a explicar por que muitos estudiosos não consideram certa a autoria de Paulo.
Outros nomes já foram sugeridos, como Barnabé, Apolo e Priscila. São possibilidades, não identificações feitas pelo próprio livro. Às vezes se usa 2 Pedro 3:15 pra defender que Paulo escreveu Hebreus, pois Pedro diz que Paulo escreveu aos seus leitores. O problema é que Pedro não diz qual carta tinha em mente. Não dá pra afirmar, com base nesse texto, que era Hebreus.
Então a resposta honesta é: conhecemos a mensagem de Hebreus, mas não o nome de quem a escreveu. Isso não diminui o que o livro ensina. Seu propósito é mostrar por que Jesus é suficiente: ele é o Filho de Deus e o sacerdote que nos dá acesso a Deus de uma maneira que os antigos sacrifícios não podiam dar (Hebreus 4:14-16; 10:11-22). A identidade do escritor continua sendo uma pergunta em aberto; a pessoa pra quem ele aponta, não.