A Bíblia não usa a palavra *autoimagem* como costumamos usar hoje. Mas ela nos ajuda a responder uma pergunta muito pessoal: como posso reconhecer meu valor sem me achar melhor que os outros e admitir meus erros sem pensar que não tenho valor nenhum?
O primeiro ponto é que você foi criado à imagem de Deus (Gênesis 1:26-27). Isso vale para todas as pessoas, não só para quem crê em Jesus. Nossa vida tem valor porque Deus nos criou assim. Por isso, sua aparência, suas conquistas e a opinião dos outros não determinam quanto você vale. E o mesmo valor que você reconhece em si precisa ser reconhecido nas outras pessoas.
Ao mesmo tempo, a Bíblia não diz que somos bons em tudo ou que basta acreditar mais em nós mesmos. Ela diz que todos pecaram (Romanos 3:23). Fazemos coisas erradas, precisamos de perdão e não conseguimos consertar sozinhos nossa relação com Deus. Reconhecer isso não significa se odiar. Significa ser sincero sobre o que precisa mudar — e sobre a ajuda de que precisamos.
É aí que a mensagem de Jesus faz diferença. Deus demonstrou seu amor por nós quando Cristo morreu por pecadores (Romanos 5:8). Ou seja, o amor de Deus não começou depois que nos tornamos pessoas melhores. E o perdão não é um prêmio por bom comportamento: é um presente da graça de Deus, recebido pela fé em Jesus (Efésios 2:4-9).
Quem crê em Cristo é recebido como filho de Deus (João 1:12). Isso não quer dizer que a pessoa nunca mais vai errar. Quer dizer que seus erros já não precisam definir quem ela é diante de Deus. Em Cristo, há perdão, uma vida nova e um caminho de mudança (2 Coríntios 5:17; 1 João 1:9). Quando o cristão peca, ele pode reconhecer o erro, buscar o perdão de Deus e continuar crescendo, em vez de fingir que nada aconteceu ou concluir que não há mais esperança.
Então, a Bíblia não nos chama nem ao orgulho nem ao desprezo por nós mesmos. Ela nos ensina a olhar pra nós com humildade e verdade: temos valor porque fomos criados por Deus; precisamos de perdão porque pecamos; e, em Jesus, podemos ser perdoados e viver como filhos de Deus. Essa é uma base mais firme do que depender apenas de como nos sentimos ou do que os outros dizem sobre nós.