A Bíblia ensina que ninguém consegue se tornar justo diante de Deus por esforço próprio. Fazer o bem importa, mas nossas boas ações não apagam nossos pecados nem nos dão o direito de exigir a aceitação de Deus. É disso que estamos falando quando usamos autojustificação: tentar provar que somos bons o suficiente por aquilo que fazemos, ou por parecermos melhores do que outras pessoas.
Jesus mostrou esse problema numa história sobre dois homens que foram orar no templo (Lucas 18:9-14). Um deles era fariseu, membro de um grupo religioso conhecido pelo cuidado em cumprir a Lei. Ele falou das coisas certas que fazia e se comparou com quem considerava pior. O outro era cobrador de impostos e reconheceu seu pecado, pedindo misericórdia a Deus. Jesus contou essa história justamente pra pessoas que confiavam na própria justiça e desprezavam os outros. E disse que foi o cobrador de impostos, não o fariseu, quem voltou pra casa aceito por Deus.
Isso não quer dizer que as boas ações do fariseu fossem ruins. O problema era confiar nelas como motivo para Deus aceitá-lo. Ao se comparar com outra pessoa, ele deixou de reconhecer que também precisava da misericórdia de Deus. Paulo explica por que essa confiança não funciona: todos pecaram (Romanos 3:23). A pergunta não é se alguém consegue parecer melhor do que outra pessoa, mas se alguém, por si mesmo, pode estar sem culpa diante de Deus. A resposta bíblica é não.
Por isso Paulo foi tão firme quando alguns ensinavam que os cristãos precisavam obedecer a exigências da Lei de Moisés, como a circuncisão, pra serem aceitos por Deus. Se a obediência à Lei pudesse nos tornar justos, a morte de Cristo não seria necessária (Gálatas 2:21). A boa notícia do evangelho é o contrário: Deus nos recebe por sua graça, mediante a fé em Jesus Cristo, não como pagamento pelo que fizemos (Efésios 2:8-9).
Mas isso não significa que obedecer a Deus deixou de importar. A diferença está em por que obedecemos. Não fazemos o bem pra comprar a salvação; fazemos o bem como resposta à graça que recebemos. Paulo diz que fomos criados em Cristo Jesus pra praticar boas obras (Efésios 2:10).
A autojustificação também pode aparecer depois que alguém se torna cristão. Ela aparece quando escondemos nossos erros pra manter uma boa imagem, quando tratamos os outros com desprezo ou quando achamos que Deus nos ama mais porque tivemos uma semana de bom comportamento. O caminho que Jesus ensina é outro: reconhecer o pecado com sinceridade, pedir perdão e confiar nele. Assim, podemos buscar uma vida de obediência sem fingir que não precisamos da misericórdia de Deus.