Sim. A Bíblia apresenta Satanás e os demônios como seres reais e alerta os cristãos para a ação deles (Efésios 6:11-12; 1 Pedro 5:8-9). Esses alertas não são dados pra nos deixar com medo, mas pra nos ensinar a permanecer firmes em Cristo.
A atividade demoníaca nem sempre aparece como algo assustador ou fora do comum. A Bíblia dá muita atenção ao engano: Satanás procura levar as pessoas a acreditar em mentiras e a se afastar de Deus (João 8:44; 2 Coríntios 11:14-15). Nos Evangelhos também há casos em que espíritos malignos afligiram pessoas de maneira direta, e Jesus as libertou (Marcos 5:1-20). Por isso, não seria correto dizer que os demônios só agiam no tempo de Jesus. Mas também não seria correto chamar de demoníaco tudo o que hoje parece estranho.
Isso vale especialmente para relatos de fantasmas, visões e assombrações. Uma experiência pode ter várias explicações, e não temos como afirmar a causa de cada relato só porque ele parece sobrenatural. A Bíblia não ensina que pessoas mortas costumam voltar pra viver entre nós ou conversar com os vivos. Ela também proíbe buscar contato com os mortos por meio de médiuns e outras práticas desse tipo (Deuteronômio 18:10-12; Isaías 8:19-20). O relato de Saul e Samuel, em 1 Samuel 28, descreve um acontecimento extraordinário num contexto de desobediência; não é uma autorização pra tentar repeti-lo.
Como, então, um cristão deve reagir? Sem procurar contato com espíritos, mas também sem viver assustado ou enxergar demônios em todo problema. Uma doença, um sofrimento emocional ou um acontecimento difícil não deve ser tratado automaticamente como ação demoníaca. É preciso buscar a ajuda adequada e agir com discernimento.
O centro da resposta bíblica é Jesus. Nos Evangelhos, os espíritos malignos não têm poder igual ao dele. E Tiago orienta os cristãos a se sujeitarem a Deus e resistirem ao diabo (Tiago 4:7). Existe atividade demoníaca, mas ela não precisa governar a vida nem os pensamentos de quem confia em Cristo. A nossa segurança está nele, não em tentar descobrir o que há por trás de cada acontecimento estranho (1 João 4:4).