A expressão parece contraditória, e há um motivo pra isso. Ateísmo cristão é o nome dado a maneiras de seguir certos ensinamentos de Jesus ou manter práticas ligadas ao cristianismo sem crer que Deus existe. Uma pessoa pode, por exemplo, valorizar o cuidado com os pobres, participar da vida de uma igreja e encontrar sentido nas histórias bíblicas, mas entender Deus como uma ideia humana, não como alguém real.
Não há um único conjunto de crenças entre as pessoas que usam esse nome. Algumas veem Jesus como um mestre cujos ensinamentos continuam úteis, mas não creem que ele seja Deus nem que tenha ressuscitado. Outras usam palavras cristãs para falar da experiência humana, dando a elas um sentido diferente daquele que têm na fé cristã. O ponto em comum é tentar preservar algo do cristianismo sem a crença no Deus que a Bíblia anuncia.
Parte dessa discussão se relaciona à chamada teologia da “morte de Deus”, que ganhou destaque no século 20. Essa expressão recebeu sentidos diferentes conforme o pensador. Por isso, não seria correto dizer que todos os ateus cristãos acreditam que Deus existiu um dia e depois deixou de existir.
Do ponto de vista da fé cristã ensinada no Novo Testamento, a diferença é decisiva: Jesus não é apresentado apenas como alguém que ensinou a amar o próximo. Ele revela o Pai, morreu pelos nossos pecados e ressuscitou (João 1:1-14; 1 Coríntios 15:3-4). Paulo chega a dizer que, se Cristo não ressuscitou, a fé cristã perde seu fundamento (1 Coríntios 15:14-19). Se Deus não existe, também não há um Pai a quem Jesus revela, nem uma ressurreição realizada por Deus. Nesse sentido, o ateísmo cristão pode conservar ensinamentos e costumes cristãos, mas não conserva o centro da fé cristã bíblica.
Isso não significa que toda pessoa que tem dúvidas sobre Deus seja uma “ateia cristã”. Alguém pode frequentar a igreja e estar tentando entender no que crê. Dúvida sincera não é a mesma coisa que adotar a convicção de que Deus não existe.
Em poucas palavras: o ateísmo cristão procura manter aspectos do cristianismo sem crer em Deus. É possível reconhecer valor moral nos ensinamentos de Jesus dessa maneira. Mas crer no cristianismo apresentado pela Bíblia envolve mais do que admirar esses ensinamentos: envolve confiar no Deus que Jesus anunciou e em Jesus como Senhor ressuscitado.