Os assírios eram o povo de um império poderoso que dominou grande parte do Oriente Médio nos séculos anteriores a Cristo. Sua terra ficava principalmente na região que hoje corresponde ao norte do Iraque, e Nínive se tornou sua capital. Na Bíblia, eles aparecem sobretudo como uma ameaça a Israel e a Judá. Mas a história deles também mostra que Deus podia chamar até uma nação inimiga ao arrependimento.
Naquela época, o povo de Deus estava dividido em dois reinos: Israel, ao norte, e Judá, ao sul. Os assírios conquistaram partes do território de Israel e levaram moradores para longe de casa (2 Reis 15:29). Depois, cercaram Samaria, a capital do reino do norte. A cidade caiu por volta de 722–721 a.C., e muitos israelitas foram deportados (2 Reis 17:5-6; 18:9-12). Levar povos conquistados para outras regiões era uma das maneiras que a Assíria usava para enfraquecer a resistência contra seu domínio.
A Bíblia não conta essa conquista apenas como uma vitória militar. Ela também explica por que Deus permitiu que acontecesse: Israel havia persistido na idolatria e rejeitado as advertências dos profetas (2 Reis 17:7-18). Em Isaías 10:5-19, Deus mostra que usaria a Assíria para corrigir seu povo. Isso não significa que aprovava tudo o que os assírios faziam. Eles agiam com violência e orgulho, e o mesmo texto anuncia que Deus também os julgaria por isso.
A cidade assíria de Nínive aparece em outra história conhecida: a de Jonas. Deus enviou o profeta para avisar seus moradores de que seriam julgados. Jonas tentou fugir, mas acabou indo. Quando os ninivitas ouviram sua mensagem, se arrependeram, e Deus não trouxe naquele momento o castigo anunciado (Jonas 1–3). A Bíblia não diz que a Assíria deixou de ser uma ameaça depois disso. O que essa passagem deixa claro é que a misericórdia de Deus podia alcançar até um povo que Israel temia.
Anos depois da queda de Samaria, a Assíria atacou Judá. No reinado de Ezequias, o rei assírio Senaqueribe conquistou cidades fortificadas e ameaçou Jerusalém (2 Reis 18:13-17). Seu representante tentou convencer os moradores de que nem Deus poderia livrá-los. Ezequias, então, orou. Segundo o relato bíblico, Deus impediu a tomada de Jerusalém, e Senaqueribe voltou para Nínive (2 Reis 19:14-37). A Bíblia também conta que ele foi morto mais tarde por dois de seus filhos.
A Assíria não permaneceu poderosa para sempre. Nínive caiu em 612 a.C., e o império acabou perdendo seu domínio. Assim, os assírios foram conquistadores que causaram enorme sofrimento a Israel e Judá, mas não estavam fora do alcance de Deus. A Bíblia mostra as duas coisas: Deus levou a sério os pecados de seu próprio povo e, ao mesmo tempo, ofereceu aos habitantes de Nínive a oportunidade de se arrependerem.