Jesus disse isso porque, desde o começo da história humana, o diabo tem levado pessoas à morte por meio da mentira. Ele não aparece no relato do jardim do Éden matando alguém com as próprias mãos. O que ele faz é enganar Eva sobre uma ordem de Deus que envolvia vida e morte.
Deus havia avisado Adão de que desobedecer àquela ordem traria a morte (Gênesis 2:16-17). A serpente disse a Eva justamente o contrário: ela não morreria (Gênesis 3:4). Eva e Adão comeram do fruto, e a desobediência trouxe consequências para toda a humanidade. Paulo explica que o pecado entrou no mundo por meio de Adão, e a morte veio por meio do pecado (Romanos 5:12).
É importante distinguir as responsabilidades. Adão e Eva desobedeceram a Deus; o diabo os enganou. A Bíblia não diz que Satanás obrigou os dois a pecar. Mas ele os incentivou a seguir um caminho cujo resultado Deus já tinha anunciado: a morte. Por isso, faz sentido Jesus chamá-lo de assassino.
O contexto de João 8 ajuda a entender por que Jesus falou disso. Algumas pessoas diziam ser descendentes de Abraão, mas procuravam matar Jesus, embora ele lhes dissesse a verdade (João 8:39-40). Jesus mostrou que descender de Abraão não tornava aquelas intenções boas. Ao quererem matar quem lhes dizia a verdade, elas estavam agindo como o diabo, a quem Jesus chamou de assassino e pai da mentira (João 8:44).
Assim, “desde o princípio” aponta, de modo natural, para o começo da história humana, quando o diabo enganou os primeiros seres humanos. Não precisamos entender a frase como uma afirmação de que ele matou alguém no momento em que foi criado. O ponto de Jesus é mais direto: desde cedo, Satanás usa a falsidade para afastar as pessoas de Deus e conduzi-las à morte.
Isso também explica por que Jesus fala de assassinato e mentira juntos. No Éden, a mentira parecia oferecer algo bom, mas escondia uma consequência terrível. Em João 8, Jesus adverte seus ouvintes de que rejeitar a verdade e desejar a morte de alguém não é seguir o exemplo de Abraão. É agir como o diabo.