Significa abandonar aquilo que não pode nos dar vida diante de Deus e confiar em Cristo. Isso inclui deixar o pecado, mas também deixar de confiar nas próprias práticas religiosas como se elas pudessem nos salvar. Em Hebreus 6:1, o arrependimento de obras mortas aparece ao lado da fé em Deus: a pessoa deixa de se apoiar no que faz e passa a confiar nele.
O contexto ajuda a entender por que o autor fala disso. Pouco antes, ele diz que seus leitores ainda precisavam aprender coisas básicas da fé, quando já deveriam ser capazes de compreender ensinamentos mais profundos (Hebreus 5:11-14). Por isso, em Hebreus 6:1-2, ele menciona o arrependimento de obras mortas entre os fundamentos que eles não precisavam aprender *de novo*. O problema não era esse ensino ser dispensável. Era ficar sempre no começo, sem amadurecer.
Mas que obras são essas? A expressão não vem acompanhada de uma lista. Ela pode abranger atos pecaminosos, dos quais é preciso se arrepender, e também tentativas de obter aceitação diante de Deus por meio do próprio esforço. Nesse segundo caso, uma obra pode até parecer boa, mas é “morta” porque não consegue fazer o que a pessoa espera dela: dar-lhe perdão e vida com Deus.
Isso era especialmente importante pra leitores que conheciam as práticas religiosas de Israel. Os sacrifícios previstos na antiga aliança tinham seu propósito, mas não podiam, por si mesmos, resolver definitivamente o problema do pecado. Hebreus 9:13-14 compara a purificação feita por aqueles rituais com o que Cristo faz: por meio do seu sacrifício, ele purifica a consciência das “obras mortas” para que a pessoa sirva ao Deus vivo. O texto não diz que a lei de Deus era má. Mostra que aqueles rituais não substituíam aquilo que Cristo veio realizar.
Assim, não seria correto dizer que “obras mortas” em Hebreus 6:1 significa *somente* os rituais da antiga aliança. O autor não define a expressão de maneira tão restrita. Mas, ao longo da carta, ele deixa claro o perigo de buscar segurança em práticas religiosas em vez de confiar no sacrifício de Jesus.
Também não devemos entender que as boas obras não têm valor. Efésios 2:8-10 ensina as duas coisas: não somos salvos pelas obras, mas, uma vez alcançados pela graça de Deus, somos chamados a praticar o bem. Obras mortas não são todas as obras que fazemos; são obras nas quais confiamos pra obter uma vida que só Cristo pode dar. Arrepender-se delas é deixar essa falsa confiança, voltar-se pra Deus e seguir crescendo na fé.