Pode, mas precisa cuidar de como faz isso. A Bíblia ensina a igreja a contribuir e a socorrer quem precisa, mas não estabelece uma regra específica sobre campanhas, bazares ou outras formas de arrecadação. Por isso, não dá pra dizer que toda campanha é errada. Também não dá pra tratar qualquer campanha como boa só porque o dinheiro será usado pela igreja.
A contribuição voluntária é o ponto de partida. Quando cristãos de Jerusalém passaram necessidade, Paulo organizou uma coleta entre outras igrejas. Ele explicou a necessidade, incentivou a generosidade e tomou cuidados pra que ninguém pudesse suspeitar do uso do dinheiro (2 Coríntios 8:1–21). Ao mesmo tempo, deixou claro que cada pessoa deveria decidir quanto dar, sem agir por pressão (2 Coríntios 9:7).
Uma campanha para uma necessidade específica pode seguir esses mesmos princípios. Se a igreja precisa, por exemplo, ajudar famílias atingidas por uma enchente, pode explicar a situação e convidar as pessoas a contribuir. O essencial é dizer com clareza pra onde o dinheiro vai, prestar contas do que foi recebido e gasto e não prometer bênçãos de Deus em troca de doações.
Também é importante não confundir contribuição com compra. Se alguém compra algo num bazar da igreja, está comprando um produto, ainda que o valor arrecadado ajude uma boa causa. Isso não é errado por si só. Mas a igreja não deve fazer a pessoa se sentir obrigada a comprar, nem deixar que seus membros pensem que participar de campanhas substitui o hábito de contribuir voluntariamente, conforme suas possibilidades.
E a reação de Jesus aos comerciantes no templo? Ela é um alerta sério contra transformar a adoração em oportunidade de exploração. Jesus expulsou vendedores e cambistas e denunciou o que estava acontecendo ali (Marcos 11:15–17). Mas aquele episódio, ligado ao funcionamento do templo, não é uma proibição direta de toda venda ou campanha feita por uma igreja hoje. O que ele certamente impede é usar a fé das pessoas pra tirar vantagem delas.
Então a pergunta prática não é apenas “podemos arrecadar?”, mas “estamos fazendo isso de um jeito honesto, voluntário e coerente com a fé que ensinamos?” Quando a igreja explica uma necessidade real, cuida bem do dinheiro e respeita a liberdade das pessoas, uma campanha pode ser uma forma legítima de ajudar. Se precisa de pressão, promessas enganosas ou falta de transparência pra funcionar, deve ser repensada.