Pastor Antônio Junior

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O que é o arianismo?

Autor: Admin

Publicado: 2026-11-05

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O arianismo é o ensino de que Jesus não é Deus eterno como o Pai. Segundo essa ideia, Deus criou o Filho antes de criar todas as outras coisas. Assim, Jesus seria superior ao restante da criação, mas ainda seria um ser criado.

O nome vem de Ário, um mestre cristão que viveu no século 4. A discussão que ele provocou não era sobre Jesus ser importante. Era sobre quem Jesus é: ele sempre existiu como Deus ou passou a existir em algum momento?

A Bíblia distingue Jesus do Pai, mas não o apresenta como parte da criação. João diz que aquele que se tornou humano em Jesus já existia no princípio, estava com Deus e era Deus. Também diz que todas as coisas foram feitas por meio dele (João 1:1-3, 14). Se tudo o que foi criado veio a existir por meio dele, não faz sentido incluí-lo entre as coisas criadas. Paulo segue a mesma linha ao dizer que todas as coisas foram criadas por meio de Cristo e para ele (Colossenses 1:16-17).

Uma passagem muito discutida é Colossenses 1:15, que chama Jesus de “primogênito”. Ário entendia isso como sinal de que o Filho foi o primeiro a ser criado. Mas, na Bíblia, “primogênito” também pode indicar posição de honra e autoridade, não apenas ordem de nascimento. Em Salmo 89:27, por exemplo, Deus fala de dar ao rei a posição de primogênito, acima dos outros reis. Em Colossenses, o próprio contexto explica a posição de Jesus: ele está acima da criação, e não dentro dela como seu primeiro integrante.

Mas Jesus não sentiu cansaço? E não disse que não sabia o dia de sua volta? Sim (João 4:6; Marcos 13:32). Essas passagens precisam ser levadas a sério. A resposta cristã histórica não é fingir que Jesus apenas parecia humano. Ele realmente se tornou homem e viveu uma vida humana, com limitações reais. Ao mesmo tempo, a Bíblia ensina que o Filho não começou a existir quando nasceu de Maria: aquele que se tornou humano já existia antes (João 1:1, 14). Entender como suas naturezas divina e humana se relacionam exige cuidado, mas suas limitações humanas, por si só, não provam que ele foi criado.

Por isso, o Concílio de Niceia, em 325, rejeitou o ensino de Ário e afirmou que o Filho não foi criado. A controvérsia continuou depois do concílio, mas a conclusão passou a fazer parte da fé cristã histórica: Jesus é distinto do Pai, porém é verdadeiramente Deus, e não a primeira criatura de Deus.