A questão é esta: quando Jesus morreu, ele morreu somente pelas pessoas que seriam salvas ou também tornou a salvação possível para todas as pessoas? Quem defende a expiação limitada diz que Cristo morreu com o propósito de salvar os eleitos — aqueles que Deus escolheu para a salvação. Quem discorda entende que sua morte foi por todos, embora somente os que creem recebam a salvação. Nenhum dos dois lados está dizendo que todos serão salvos.
O principal argumento contra a expiação limitada vem das passagens que falam da obra de Jesus em termos amplos. João Batista apresenta Jesus como aquele que tira o pecado do mundo (João 1:29). João diz que Jesus é o sacrifício pelos pecados dos cristãos e também pelos do mundo inteiro (1 João 2:2). Paulo afirma que Cristo morreu por todos e que Deus deseja que pessoas de toda parte sejam salvas (2 Coríntios 5:14-15; 1 Timóteo 2:3-6). Lidas no sentido mais direto, essas passagens parecem ir além do grupo de pessoas que de fato será salvo.
Há respostas a esse argumento. Alguns entendem que “mundo” destaca pessoas de todas as nações, não cada indivíduo. Outros dizem que “todos” pode significar pessoas de todos os grupos, sem distinção. Essas leituras precisam ser consideradas no contexto de cada passagem. Ainda assim, quem rejeita a expiação limitada pergunta: se João quis dizer apenas “os eleitos espalhados pelo mundo”, por que fez questão de dizer que Jesus morreu não só pelos pecados de seu próprio grupo, mas pelos do mundo inteiro?
Um segundo argumento trata das passagens usadas a favor da expiação limitada. Jesus diz que dá a vida pelas suas ovelhas (João 10:15), e Paulo diz que Cristo amou a igreja e se entregou por ela (Efésios 5:25). Essas afirmações mostram, com toda a clareza, o cuidado de Jesus por aqueles que lhe pertencem. Mas dizer que ele morreu *por eles* não é, por si só, o mesmo que dizer que morreu *somente por eles*. Ao mesmo tempo, os defensores da expiação limitada lembram que, em João 10, Jesus não está fazendo uma declaração isolada: ele fala de ovelhas que ouvem sua voz e a quem dá a vida eterna. Por isso, a diferença entre as duas posições não se resolve acrescentando ou retirando a palavra “somente” de um versículo.
Também é importante separar duas perguntas: por quem Cristo morreu? e quem recebe a salvação? O Novo Testamento ensina que a salvação é recebida pela fé em Jesus (João 3:16; Atos 16:31). Portanto, afirmar que Cristo morreu por todos não obriga ninguém a concluir que todos serão salvos. Para quem se opõe à expiação limitada, sua morte oferece uma base real para anunciar o evangelho a qualquer pessoa e convidá-la a crer, como fazem as Escrituras (Atos 17:30; Apocalipse 22:17).
Esse argumento do convite universal, porém, não encerra o debate. Os defensores da expiação limitada também anunciam o evangelho a todos: eles entendem que ninguém sabe quem são os eleitos e que Deus chama as pessoas à fé por meio dessa pregação. A divergência está no que a morte de Cristo teve o propósito de realizar por aqueles que não crerão.
Assim, os argumentos mais fortes contra a expiação limitada são a linguagem abrangente de passagens como 1 João 2:2 e 1 Timóteo 2:6, e o fato de que os textos sobre Jesus morrer por suas ovelhas não dizem expressamente que ele morreu *apenas* por elas. A Bíblia deixa claro que a morte de Cristo é suficiente para salvar e que ninguém é salvo sem fé nele. A discussão entre cristãos que reconhecem a autoridade da Bíblia é se, ao morrer, Jesus teve o propósito de oferecer salvação a todos ou de garantir, de modo particular, a salvação dos eleitos.